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Regra número 1: jamais advogar para parentes

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Visualize: sua colega advogada preferida impecavelmente arrumada, sentada à mesa do café da manhã, no seu primeiro dia de trabalho depois de um árduo período de estudos e de toda a tensão e ansiedade do Exame de Ordem. Ela se dedicou muito, mudou seus horários na faculdade para poder se dedicar a um estágio em período integral, lidando com assuntos que nunca viu e nunca veria nas aulas da graduação. Mas tudo valeu a pena! Ela foi efetivada como advogada júnior no escritório, e neste exato momento estava sorvendo um pouco do seu suco de beterraba e apreciando a suavidade de sua nova blusa de linho. Ela sabia, tinha toda a certeza de que brilharia como nunca.

No meio de seu devaneio, um primo de centésimo grau – que “coincidentemente” estava tomando café da manhã junto com a família desta dedicada jovem advogada neste dia – volta-se para ela e diz, com secas palavras:

“Não esqueça de ver o meu processo, heinnn!”

Um engasgo. Agora a caríssima blusa foi tingida do mais vibrante colorido roxo-beterraba, enquanto as maçãs do rosto da advogada tomaram primeira coloração vermelha desta nova fase de sua carreira.

Que pena! Ela não merecia isto. Mas poderia evitar tal tipo de situação se ela se lembrar da regra nº 1 da advocacia: Jamais advogar para parentes!

Jamais advogar para parentes: seria isto uma crueldade?

Todo advogado sabe da regra nº 1. Não fiz nenhuma pesquisa sobre isto, e nem sei de onde esta regra veio. Mas não lembro de nenhum advogado que não saiba desta sugestão de não advogar para parentes. E dificilmente algum parece discordar da regra. Não sem razão, a regra é vista como cruel, desumana, desafetuosa, especialmente por recomendar que não seja feito um favor a um familiar.

Eis toda a questão! Advogar nunca vai ser um favor, e muito menos um favor familiar. O advogado não presta um favor ao cliente. O advogado atua defendendo os direitos do cliente e, no campo das emoções, acaba sentindo como se fossem seus próprios direitos! Em família a situação é um pouco diferente. Por amor ou por afeto, ou mesmo por sentimento de dever, um parente pode até mesmo sentir os fardos dos familiares como se seus mesmo fossem. No entanto, continua a sua própria e específica posição em relação ao parente. Ser um bom advogado ou ser um bom sobrinho? Só é fácil responder a esta pergunta quando não é preciso ser as duas coisas ao mesmo tempo em relação à mesma pessoa.

De outro lado – e ainda falando sobre favores – familiares dificilmente aceitarão, nas suas consciências, que devem se comportar como “clientes”. Por isto, é muito comum a total falta de timing, de pertinência, de consideração. E, respeitando as opiniões em contrário, acho que nem existe parente-cliente, quando o assunto é advocacia. Se alguém quiser insistir nisto, vá em frente e prefira roupas fáceis de lavar.

Acreditem: a aplicação estrita da regra é muito mais cruel para o advogado do que para seu parente.

O que os parentes de advogados devem saber

Nem sempre advogar para parentes tem efeitos tão desastrosos. É possível que um advogado patrocine as causas de seus parentes e lide (do verbo “lidar”, certo?) com isto de forma fenomenal. No entanto, se houver recusa, eis uma breve lista do que os parentes deveriam se esforçar em perceber:

  1. Como dito: todo advogado sabe da regra nº 1, e advogados mais experientes geralmente gostam de incentivar os mais jovens a segui-la;
  2. A regra nº 1 é mais altruísta do que imaginamos. Quem a aplica quer continuar tendo afeto pelos seus parentes;
  3. Mesmo que ninguém admita, o advogado que seguir a regra nº 1 provavelmente vai dar um jeito de acompanhar o processo do parente (fazendo de anjo da guarda);
  4. Advogar não é favor, é trabalho. No entanto, não existe parente-cliente;
  5. Parentes não deveriam pedir conselhos jurídicos durante as refeições.

Nota: o tema deste post surgiu a partir de uma rápida conversa com o advogado Eduardo Masses (no Twitter: @Eddiemasses), a quem agradeço pela sugestão de escrever sobre o assunto.

Gustavo D’Andrea

Gustavo D’Andrea é advogado, mestre em Ciências (Psicologia) pela FFCLRP-USP e doutorando em Ciências (Enfermagem Psiquiátrica) pela EERP-USP. Mantém o blog Forense Contemporâneo desde 2005 e criou a Forensepédia.

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14 Comments

  1. Muito bom este post!

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  2. Michele says:

    hahaha …ótimo

    “Não esqueça de ver o meu processo, heinnn!”

    Adorei

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  3. Reginaldo Mazzetto Moron says:

    Só eu sei dizer isto, pois advogo para parentes a dez anos. Não posso dizer que todos deram trabalhos, mas na maioria isto ocorreu. O caso assemelha muito com as sogras,a maioria as detesta, mais a minha é a melhor do mundo!

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  4. Lucimar says:

    Infelizmente é verdade. Advogar para parentes significa trabalhar muito, de graça, não ter reconhecimento e ainda, em muitos casos, ouvir críticas a sua maneira de trabalhar e ouvir que o Dr. Fulano cobra muito caro para fazer este “servicinho”. Triste, mas é a realidade. Portanto, parentes são enviados aos colegas.

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  5. ALDA MARIA ADAM DA CUNHA MELLO says:

    EU ACABEI DE COMETER ESSE ERRO E ESTOU MORTALMENTE ARREOENDIDA, ALEM DE TRABALHAR VC TEM QUE DAR INFORMAÇÕES SOBRE O PROCESSO E SEU TRÂMITE, DIUTURNAMENTE, ALEM DA CARGA EMOCIONAL ENVOLVIDA, MESMO ENVIANDO-OS AOS COLEGAS, VC CORRE O RISCO DE PERDER TAL COLEGA, PARENTE TEM QUE PROCURAR SEU PRÓPRIO ADVOGADO, CREEEEDDOOOOOOO!!!! NUNCA MAIS, VALEU A LIÇÃO.
    P.S.:ESSA REGRA VALE TB PARA AMIGOS.

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  6. ROSANGELA PRADO says:

    bOA NOITE, OU MELHOR BOA MADRUGA;

    GOSTARIA DE UMA AJUDA

    ME FORMEI EM DIREITO, PASSEI NO EXAME DA ORDEM/PIUI. MAS TENHO QUE CONFESSAR: NÃO TENHO AMIGOS; DURANTE A FACULDADE, PROCURAVA ME RELACIONAR COM TODOS; ALGUNS ATE CONSEGUI,MASFOI SOMENTE POR INTERESSE DELES. QUANDO TERMINOU O CURSO,JÁ NAS SOLENDADES NINGUEM SE APROXIMOU MAIS DE MI. sOMENTE UMA PESSOA E OUTRA PARA PEDIR LIVROS EMPRESTADOS, EMPRESTEI E NUNCA MAIS ME DEVOLVERAM. eSTOU RELATAMDO TUDO ISSO PARA DIZER QUE QUERO ADVOGAR, MAS NÃO TENHO COM QUEM. JÁ BATI ALGUMAS PORTAS MAS NÃO CONSEGUI. QUERO ENTÃO ADVOGAR MESMO SOZINHA,MAS NÃO SEI POR ONDE COMEÇAR, COMO CONSEGUIR CLIENTES; TENHO RECEIO,MAS AO MESMO TEMPO, CORAGEM, POIS SEI QUE NO COMEÇO É DIFICIL MESMO.GOSTARIA DE UMA AJUDA, UMA DICA, POR ONDE COMEÇAR. AGRADEÇO MITO A COLABORAÇÃO.

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    • Angelo says:

      olá rosangela,
      estou passando por uma situação semelhante a sua.
      Advogar sozinho é dificil demais e ser contratado é mais ainda.
      Algumas coisas que percebi:
      - nunca pare de estudar;
      - escolha uma área específica, ser do tipo faz tudo, só vai esquentar a sua cabeça, pois ninguém sabe tudo
      - faça parcerias com advogados de áreas diferentes da sua. (eles te indicam clientes pra vc e vice-versa)
      - registre-se como dativo na sua OAB

      Espero ter te ajudado. boa sorte

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  7. Fabio Silva says:

    Incrível.
    Vivo falando pra minha esposa que não aguento mais essa situação, não é mais possível se reunir com a família.
    Sou de uma cidade pequena e advogo para quase toda minha familia (processos relacionados a consumidor, guarda, cobrança, dpvat, criminal, guarda, multas transito, entre outras), antes nos encontravamos e conversávamos sobre diferentes assuntos, combinávamos programas com a família. Hoje, quando me veem, a primeira palavra não é um “oi” ou “bom dia”, mas sim “Como vai o meu processo” (chego a ficar com “frio na barriga” só de escrever essa frase).
    Nem saio mais de casa, vou de casa para escritório/forum e volto, a situação está horrível, não compareço mais a encontros com os parentes, festas, tá muito difícil.
    Um abraço a todos. Fabio

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  8. Carlos Augusto Tostes de Macedo says:

    Essa regra é muito boa para quem a criou e para quem quer seguí-la. Criar regras para si e para os outros é muito fácil…
    Quem ama o Direito e a Justiça não se esquiva, sob qualquer pretexto, de atuar em favor do infortunado.

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  9. Julia says:

    Acredito que se o advogado(a) é honesto e competente e não faz da sua profissão um motivo para achar que é mais do que os outros membros da família. De qualquer maneira, todo advogado, sendo o cliente parente ou não, tem a obrigação de esclarecer sobre o andamento do processo e acredito que este é o maior dos problemas pois muitos advogados acham que o cliente tem que adivinhar o andamento do processo ou pegar o processo e ler. Conheço um advogado que advoga para a família e é muito querido pois é de fácil trato, tem humildade e não é o ‘bom’ do pedaço; no entanto conheço uma advogada que fez a irmã perder um emprego pois disse que entraria com o processo e talvez tenha esquecido!

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    • Julia says:

      Corrigindo a primeira frase: “Acredito que se o advogado(a) é honesto e competente e não faz da sua profissão um motivo para achar que é mais do que os outros membros da família não há problema nenhum”.

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  10. Fernando says:

    Imagine o contrário! Você precisa de um advogado de confiança, confia em um familiar e o procura em seu escritório no horário de trabalho. Recebe um não com resposta. Isto é ser família? O que é família para os advogados? Que cobrem por seu trabalho normalmente mas reflitam se o desgaste na relação será maior ou menor depois do não. Aconteceu comigo, simplismente quebrou o encantamento da relação familiar que existia! Hoje sou advogado, e, tenho o maior prazer em advogar para meus familiares e esclarecê-los bem…

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  11. Eduardo says:

    O problema não é deixar de cobrar (desapego que o advogado – diferentemente do que fantasia o público em geral – tem em relação a diversos casos em que atua por questão de justiça e sem receber), MAS o quão caro o gesto de bondade familiar pode lhe custar.
    O advogado não cobrará do familiar por uma questão moral, MAS o familiar procurará o advogado ‘da família’ nem sempre por confiar nele, MAS sim por ter em mente que não desembolsará nada, afinal…
    E o pior é a coação moral dos pais… Você sabe que não deve sucumbir, mas isso te causa um grande mal estar.
    Você não cobrará nada, MAS tenha certeza de que terá de trabalhar (e será cobrado pelo familiar) como se estivesse sendo remunerado a peso de ouro. E se o familiar não tiver o direito alegado, aí é que são elas…
    Além disso, em algumas famílias pode existir outros sentimentos menos nobres, de modo que somente apresentarão os casos “quase perdidos” para que o familiar prove “ser bom mesmo”!
    Estou advogado para um familiar, e posso dizer que nunca mais faço isso.

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  12. RICARDO says:

    NUNCA ADVOGUE PARA PARENTES… N U N C A!!!

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