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Foren$e Wealth: Um caminho de inovação na advocacia

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Uma das maiores lições de inovação que eu tive na vida me foi mostrada pelo compositor e produtor cultural Guilherme Kawakami (que eu menciono várias vezes neste blog e, nem  mesmo assim, consigo fazê-lo ficar convencido). Na época, ele ainda não ingressara na Unicamp, onde cursou composição no Instituto de Artes, mas levou aos ensaios de música uma ideia que me fez pensar.

Bem, um violão tem seis cordas bem esticadas, cada uma delas afinada em certa nota. Todas as cordas ficam presas em dois pontos e mantêm uma pequena distância do corpo do violão, para que possam soar. Discutíamos sobre os padrões da teoria musical e nos forçávamos a experimentar combinações diversas das que eram ensinadas usualmente. Nesse contexto, Kawakami provocou uma grande diferença de timbre utilizando dois lápis, posicionando um deles no final do braço do violão, atrás das cordas. O espaço entre as cordas e a madeira era menor do que a espessura do lápis, de modo que o lápis ficou preso com facilidade.

O outro lápis foi utilizado como instrumento de ataque, sendo golpeado contra as cordas e fazendo emitir um som mais oriental, um pouco áspero, porém natural. Surgiu um novo timbre e ali aprendi sobre a existência do conceito de instrumentos “preparados”, ou seja, instrumentos com alguma modificação no seu padrão inicial de fabricação, embora mantendo o caráter “acústico” (quer dizer, sem aparatos eletrônicos como sintetizadores ou pedais de distorção).

Também foi feita uma modificação no piano. Uma borracha foi utilizada para fixar o pedal abafador em altura média, quase como um “meio pedal”, embora sem a necessidade de segurá-lo com o pé. O resultado foi um som um pouco abafado, com um baixo mais preciso, mas com qualidade inferior.

Com dois lápis e uma borracha, dois instrumentos musicais foram modificados de forma reversível e sem danos à sua estrutura original. As simples mudanças criaram, no entanto, uma atmosfera toda nova, estimulando a criatividade e a inspiração para novas combinações de notas, rítmos que não havíamos usado, um novo treino para o ouvido.

Depois de usufruirmos das novas sonoridades, os instrumentos acabaram voltando ao seu estado normal. Entretanto, a visão que eu tinha de ambos os instrumentos mudou, passou a haver mais intimidade com suas estruturas e novas ideias foram surgindo. Depois de aprender os aspectos consolidados do conhecimento musical e treiná-los, a coragem de modificar a estrutura para sentir o novo resultado serviu para criar um novo contexto e aprimorar ainda mais a relação entre o espírito humano e os objetos, mesmo quando tomaram novamente a sua forma “natural”.

As modificações foram feitas com o simples intuito de buscar novos conhecimentos, de dominar as possibilidades dos instrumentos, de rejeitar a ideia de que é proibido conhecer mais do que nos é ensinado. Como os ensaios tinham, de modo geral, a mesma finalidade, a inovação trazida por Kawakami somente fez expandir e refinar os resultados da busca pela arte na forma de música.

Transpondo as ideias para o mundo dos jojubras

Acredito que a liberdade para inovar, naqueles ensaios, se impôs – com todo o respeito – porque estávamos longe dos professores.

Sem a intenção de ser mórbido, é preciso dizer: os mentores estão morrendo. As rígidas estruturas de aprendizado prático baseado em hierarquias estão sumindo da advocacia. Se o lado negativo disto é que os jojubras estão enfrentando a sua transformação em serviço padronizado descartável, o lado positivo é que eles podem inovar sem se preocupar com o olhar reprovador dos superiores tradicionalistas que estão deixando o mundo.

O cenário atual da advocacia parece avesso à inovação, não parece? Escritórios antigos muito bem consolidados, os convênios com a Defensoria Pública ajudando no sustento dos advogados iniciantes e o rolo compressor do aviltamento da classe advocatícia através de uma duvidosa manipulação dos honorários. Todavia, eu diria que esse cenário é, na verdade, muito propício para inovações. De um momento para outro a advocacia no Brasil se tornou muito mais livre do que era até alguns anos atrás.

"a thursday night", por modern_carpentry, no Flickr (licença cc-by)

Por outro lado, “inovar” é diferente de seguir novos padrões. Ligamos para escritórios de advocacia e encontramos uma empresa; os advogados possuem logomarcas e já aceitam cartão de crédito como forma de pagamento. Há quem defenda o (ainda controverso) conceito de “loja jurídica”, como fizeram em Portugal. Bem, estes são temas que já têm tempo e todo mundo já conhece. Ninguém mais parece acreditar que precisa seguir os padrões tradicionais que se consolidaram por séculos na advocacia, porque tais padrões já se quebraram em muitos pedaços. Mas, aprender os novos padrões é só uma parte da história.

É importante que as regras éticas sejam sempre respeitadas. E isto pode ser feito de uma forma muito mais interessante hoje, porque a liberdade que a advocacia está obtendo permitirá avaliar o que é o ético num sentido muito mais holístico e pragmático, e menos hipócrita. A austeridade, a bocas viradas para baixo, os cenhos franzidos, o Exame de Ordem cada vez mais difícil e os altos valores que os advogados devem gastar (taxas, livros, despesas do dia a dia etc.) para conseguir trabalhar; tudo isto tem feito a advocacia crescer firme e forte, valorizada e culta? As notícias de jornal podem dar dicas de qual seria a resposta.

Quando penso em inovação, procuro identificar alguma coisa que mude a atmosfera e que estimule uma sensação de readaptação, além de exigir uma certa prática num conjunto novo de regras. Mais do que isto, penso em sutis modificações no padrão estabelecido, o qual pode ser restabelecido depois da inovação, embora com consequências marcantes. E é bem aqui que pode ficar uma grande dica: quem não consegue inovar talvez não conheça bem o instrumento com o qual está lidando, o que é mais um convite para aprender mais, refletir mais, libertar-se mais. Penso nessas coisas, e você pode fazer o mesmo.

Gustavo D’Andrea

Gustavo D’Andrea é advogado, mestre em Ciências (Psicologia) pela FFCLRP-USP e doutorando em Ciências (Enfermagem Psiquiátrica) pela EERP-USP. Mantém o blog Forense Contemporâneo desde 2005 e criou a Forensepédia.

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