2014 está acabando… (Fatos Ribeirão-Pretanos #13)

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Na próxima quinta-feira, já é Natal. E na posterior, Ano Novo! O ano de 2014 está quase acabando. Qual é o significado disto, e o que podemos refletir a partir do ano que passou, especialmente neste momento de “despedida”?

Escrevi, há vários anos, num pedaço de papel, três coisas, em letras maiúsculas: NÃO CRITIQUE, NÃO RECLAME, NÃO IRONIZE. Eu passava por uma fase intensa de reflexão, em meio a um período de grande ansiedade, provavelmente por estar, na época, enfrentando um período de grandes decisões na minha vida. Livros de auto-ajuda, com o perdão da redundância, ajudaram-me muito. Nessas leituras e reflexões é que pensei em escrever aquelas coisas no papel.

Bem, pratiquei aquelas coisas, e depois acabei me esquecendo delas. Ainda é um mistério, para mim, o fato de que o ser humano tem o hábito de parar de fazer as coisas que lhe são benéficas. Não posso, realmente, justificar a “falha” na tarefa de não criticar, não reclamar e não ironizar. É claro que praticar essas coisas não significaria ser passivo e aceitar tudo. A verdade é que criticando, reclamando e ironizando, na minha opinião, é pior do que ficar inerte: é ficar, além de inerte, escondido por detrás de discursos destrutivos.

Andar pela cidade e ver o estado em que ela se encontra, causa indignação. Cada um pode, por si mesmo, ver coisas que estão como não “deveriam” estar. Os jornais nos acostumam a ver as coisas desta forma, especialmente quando jornalistas fazem carreira como apontadores de “falhas públicas”. É habitual que o Poder Público acabe entrando neste jogo, enviando respostas pontuais para satisfazer à composição da matéria jornalística, sem tomar consciência de que o espaço do Poder Público nos jornais é sempre diminuto.

Então, como deixar de criticar, de reclamar e de ironizar? Um primeiro passo seria o de reconhecer que estas atitudes são apenas descritivas de uma concepção pessoal (nem sempre “certas”) e, às vezes, também representam uma certa “transferência” de agenda. É fácil perceber isto, por exemplo, quando você descobre um perfil no Instagram onde um grafiteiro posta fotos de suas obras nos muros da cidade. Para alguns, é um absurdo alguém sair por aí grafitando muros visíveis ao público com seus desenhos e letras característicos. Para outros, é uma forma sublime de expressão de arte, espírito e coragem. Há os que são, no fundo, indiferentes, mas aproveitam a situação para dizer “que o governo nada faz”.

Outro passo possível? Reconhecer que o milagre está em pleno andamento! De vez em quando é preciso levar um tapa na cara para perceber isto. O tapa do dia foi a matéria que saiu na edição impressa da Folha de São Paulo de hoje (18 de dezembro de 2014), contando um pouco sobre Paulo Henrique Machado. Ele tem 47 anos, e vive há 46 anos numa cama na UTI do Hospital das Clínicas de São Paulo. Ali, ele fez o Ensino Médio e cursos de computação gráfica e roteiro, e agora concluiu a série de desenhos animados chamada de “Brincadeirantes”. É informação suficiente para acordarmos para o fato de que a maioria de nós, na realidade, não tem do que reclamar, não é?

Este finalzinho de ano é um momento propício para estas reflexões. O ano passou, ficou para trás. A nossa tendência é a de agradecer pelo ano ter acabado, o que, de certa forma, seria um outro jeito de reclamar, criticar ou até ironizar o ano que passou. A gratidão é bonita e importante, mas agradecer pelo fim de um ano é expressar insatisfação em relação a ele. Por isso, a minha mensagem, neste momento, seria um pouco diferente: o ano de 2014 passou, com suas alegrias e seus desafios e, nestes últimos dias antes do novo ano, relembremos de tudo o que aconteceu de importante e, então, deixemos ir aquilo que já é passado, e aproveitemos esta “despedida” para receber o novo ano com ânimo total para os nossos novos desafios e alegrias!

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