A Descoberta do Ordenamento Jurídico Brasileiro – Parte 3

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Na biblioteca do escritório de advocacia do primo Bob estão frente a frente Miguel e Claire, ela a francesa com sotaque agradável. Miguel explicou rapidamente que estava ali para estudar sobre o ordenamento jurídico brasileiro, tendo o primo Bob como mentor. Claire perguntou:

– Qual é a finalidade disso?

– Finalidade do quê? – perguntou Miguel, meio confuso.

– Desse seu estudo, chéri. Por que você estaria dentro de uma biblioteca estudando o ordenamento jurídico ou qualquer outra coisa relacionada às normas? Você não tem nada mais interessante para fazer?

– Eu… – começou Miguel, sem poder terminar antes que Claire o interrompesse.

– Retiro o que eu disse. Fiquei um pouco influenciada por uns professores que estavam dizendo que os jovens hoje em dia não se interessam por normas… Qual é a finalidade desse seu estudo?

– Eu acho que… – tentou dizer Miguel, sendo novamente interrompido por Claire.

– O Dr. Bob será o seu mentor! Claro! Ele mencionou que você estaria por aqui! Prazer em conhecê-lo! Mas me diga, chéri, qual é a finalidade desse seu estudo?

– Não sei… – disse Miguel rapidamente, temendo ser interrompido novamente. No entanto, como Claire ficou em silêncio olhando para ele, resolveu falar mais um pouco (e conseguindo, para a sua surpresa) – Não estou na faculdade ainda, Claire. O primo Bob será o meu mentor e disse que eu deveria aprender sobre o ordenamento jurídico brasileiro em primeiro lugar. Mas o Paul disse que eu não deveria ler nada hoje. Não me ocorreu nenhuma pergunta e estou bastante perdido por aqui…

Claire fez com que Miguel se sentasse numa confortável poltrona e depois desapareceu, voltando logo em seguida com uma caneca cheia de chá quente sobre um pires “abastecido” com alguns biscoitos bastante saborosos. Ela se sentou numa poltrona próxima e pediu que Miguel relaxasse. Agora, Claire estava um pouco mais séria e começou a falar novamente:

Mon chéri, aprender sobre normas pode ser algo estressante, se você assim o permitir. O Dr. Bob mantém nesta biblioteca um clima de busca pelo conhecimento e muitas pessoas que estão aqui pesquisando o fazem como uma espécie de missão. Também estou aqui aprendendo. Meus pais são diplomatas e me trouxeram aqui depois que eu disse que queria seguir alguma carreira jurídica. Não tenho tanta sorte de ter um mentor, mas gosto muito deste lugar.

– Por que tenho que estudar o ordenamento jurídico brasileiro? – perguntou Miguel.

– Você sabe o que é um ordenamento jurídico, não sabe?

– São as leis?

– As leis? Bem… sim, são as leis… Mas não simplesmente as leis… Um ordenamento jurídico é como um sistema…

– Um sistema? Sim, entendi. Um sistema…

– Um carro. Você gosta de carros, chéri? Pense no motor de um carro. Ele precisa de combustível para funcionar, mas não qualquer combustível. Se o motor foi feito para funcionar com biodiesel, então precisará ser abastecido com biodiesel. E quem projetou o motor é quem sabe que combustível o fará funcionar. Por outro lado, se alguém inventou um combustível diferente, então talvez seja necessário criar um motor apropriado. O importante é que um motor não funciona se o combustível não for o combustível certo.

– O que isso tem a ver com leis? – perguntou Miguel.

– A relação, chéri. As leis têm de ser adequadas umas às outras.

A parte 3 de A Descoberta do Ordenamento Jurídico Brasileiro termina aqui.

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