A Pílula do Câncer: esperança ou ilusão? (Informativo #SeuDireito nº1)

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pílula do câncer

Estimados leitores,

Com o aumento de assinantes do blog Forense Contemporâneo, resolvi criar um informativo mais elaborado e, além de ser enviada diretamente aos e-mails dos assinantes, também as publicarei para o acesso do publico em geral. Dou-lhe o nome de “Informativo #SeuDireito” e nele abordaremos temas atuais sobre direitos. A vantagem de publicar uma cópia do informativo é possibilitar uma difusão maior do conhecimento e possibilitar que os leitores possam contribuir com seus comentários diretamente no blog.

A Pílula do Câncer

O tema deste primeiro número refere-se ao panorama geral relativo à “pílula do câncer”, nome que a população tem dado à Fosfoetanolamina Sintética, que tem como estudioso mais destacado (e também o maior alvo de polêmicas) o Prof. Gilberto Orivaldo Chierice. Aliás, a fosfoetanolamina teve sua patente depositada há vários anos por Chierice e um grupo de outros pesquisadores.

Parece que a pílula do câncer é um assunto novo, mas não é. Em matéria da Folha de S. Paulo de 2016 (ver aqui), o jornal já anotava que a pílula foi distribuída “por décadas” para seres humanos. No entanto, até a data da matéria, somente haviam sido feito estudos sobre a eficácia da substância com animais, e não com seres humanos. A polêmica veio a público mais recentemente, provavelmente por causa da aposentadoria de Chierice e consciente descontinuidade da distribuição da fosfoetanolamina, o que gerou uma onda de ações judiciais para a obtenção da pílula e a visibilidade na mídia e nas redes sociais. Uma frase de Chierice, na matéria citada, mostra a magnitude da distribuição da substância: “Com 700 pessoas usando por mês, é lógico que haveria ações judiciais”.

A esperança

A interrupção da distribuição da pílula do câncer e a visibilidade do assunto na mídia não apenas movimentou quem já conhecia a substância, mas também um número infindável de pessoas de todo o Brasil, que estavam tendo contato pela primeira vez com o tema, principalmente por meio da Internet.

Qualquer raio de luz que indique um possível alívio dos sintomas e efeitos do câncer é capaz de mobilizar as emoções e esforços de milhões de pessoas. Basta observar o sucesso que livros com histórias pessoais de sobreviventes da doença, para notar o quanto o tema toca o coração de quem vive ou tem algum amigo ou familiar que vive esse drama.

As esperanças começaram a crescer quando a sociedade passou a se organizar em prol da fosfoetanolamina e instituições públicas, e vários políticos inclusive, passaram a levantar a mesma bandeira.

No entanto, rapidamente uma verdadeira guerra contra a pílula do câncer também começou…

A ilusão

A verdade incontestável é que (até o momento de publicação deste informativo) a fosfoetanolamina não foi testada em seres humanos. Ela pode ter sido usada por pessoas, mas nenhum teste científico foi feito dentro dos padrões indicados para a criação de novos medicamentos para uso humano.

Até mesmo o conceito da fosfoetanolamina como “medicamento” é polêmica. Além da ausência dos testes em seres humanos — e como consequência disso — a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) não avalizou de forma alguma a substância. Mesmo se um dia o fizer, muitos testes devem ser feitos e muito tempo passará até que uma conclusão seja obtida e a pílula do câncer possa sair do campo da polêmica. Evidentemente, isso implica em que os testes sejam positivos, no sentido de comprovar sua eficácia contra o câncer.

Seria a pílula do câncer uma ilusão? Talvez! O fato de não ter sido testada em seres humanos e não ter ainda o aval da ANVISA para ser distribuída, não significa que a substância seja ineficaz. A comoção geral em torno dela é que nos faz refletir: para onde estamos indo?

A realidade

O tema da pílula do câncer nos faz olhar para muito além da sua aprovação ou reprovação. Somos chamados a nos conscientizar sobre como as coisas têm funcionado no Brasil. Talvez a pílula do câncer seja apenas uma miragem, mas quantas outras soluções potencialmente eficazes para os problema da vida têm sido negligenciados em nosso País?

Percebamos que a fosfoetanolamina foi distribuída por décadas (como diz a notícia de jornal anteriormente referida). Uma substância voltada — ao menos supostamente — para o tratamento do câncer, ser usada por um grande número de pessoas por vários anos e somente mais tarde, quando o assunto ganha a mídia e o panorama judicial, uma guerra é travada pelas sua regularização ou proibição (dependendo do ponto de vista a partir do qual se olhe).

Será que somente a pílula do câncer sofreu essa negligência? Ou melhor, não a pílula do câncer, mas as pessoas que nela tinham esperança.

Recentemente o Congresso Nacional autorizou legalmente a distribuição da pílula do câncer (pela Lei 13.269/2016), mas a eficácia da nova lei foi liminarmente suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Por ser uma substância ainda duvidosa quanto aos seus efeitos em seres humanos, foi a atitude mais sensata, no contexto jurídico geral. A própria lei possui um problema, que é o fato de colocar ao paciente toda a responsabilidade pelo uso da substância, algo que soa inconstitucional, dado o dever do Estado de prover a saúde (e de se responsabilizar por isso).

No campo político e social, no entanto, a pílula do câncer é um chamado à percepção da realidade precária da saúde no Brasil. Não sabemos se a fosfoetanolamina será testada rapidamente, e se o for, não sabemos se é por sua potencial eficácia ou porque se tornou o “assunto do momento”.

Resta-nos ter fé de que os testes sejam feitos e sejam positivos quanto à eficácia da pílula do câncer, poupando o brasileiro de sofrimentos, enganos e prejulgamentos.

Livros com vivências e informações em torno do câncer

Muitos livros foram publicados com a temática do câncer. A seguir uma lista com alguns deles (clique nas capas – links afiliados – para acessar os detalhes dos livros no site da Amazon Brasil):

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1 COMMENT

  1. A pílula do câncer passou sim por testes clínicos. Um acordo para a realização dos testes foi firmado com o hospital Amaral de Carvalho no ano de 1995. O hospital nega, mas existe um contrato assinado que comprova a execução dos testes. Aonde eles foram parar?
    Os primeiros resultados nos testes atuais feitos com a fosfo foram muito ruins. O que me intriga é que usuram uma cápsula sintetizada pela Unicamp, não pela Usp. A substância usada era bem diferente da original, tanto na dosagem quanto na adição de alguns componentes que não constam na pílula original. Não à toa, exames posteriores realizados em camundongos, mostraram que a substância da Unicamp se mostrou inócua no tratamento de câncer inserido nos animais, enquanto as cápsulas da USP combateram esses mesmos tumores. Curioso, não. Acho que o senhor está desinformado, DR. sinto informar, mas estão querendo aplicar um golpe.

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