A voz de Susan Boyle: uma mensagem para o mundo

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Foto: "Les Miserables", Andyrob, Flickr, licença CC-BY

É comum na vida de qualquer pessoa passar por momentos difíceis. Riqueza e saúde não significam que alguém deixará de enfrentar um percurso cheio de obstáculos, sendo mais valoroso aquele que continua vivendo apesar de toda a correnteza que contra si vai, e extrai aos poucos a beleza em qualquer situação, onde quer que vá. A prova de que é preciso suportar os obstáculos com paciência, são as ondas de benesses que nos pegam de surpresa, quase sempre provindo de fontes que nunca imaginaríamos que pudessem originar alguma inspiração real e emocionante em nossas vidas.

É o que presencio nesse exato momento. Início de tarde de uma quinta-feira cheia de sol. Uma gripe se espalhando pelo corpo, não deixando a paz se instalar. Calor e desconforto, e uma sensação de que o tungstênio está oxidando a cada tentativa de mudar o interruptor.

Eis que folheio a Folha e ouço falar de um vídeo muito visto no YouTube. Fiquei curioso para ver, mas esqueci. Mais tarde, olhando alguma outra coisa no Twitter, deparei de novo com a palavra-chave relativa ao vídeo. Lembrei novamente! E fui até o YouTube para assistir o teste vocal de Susan Boyle, no programa Britains Got Talent 2009 (o American Idol britânico).

Em primeiríssimo lugar, é preciso ver e ouvir. Sem ver e ouvir, fica difícil falar qualquer coisa sobre o assunto. Mas, depois de ver… o ímpeto interior dos melhores sentimentos entra em ação e a mente não pára de funcionar com ideias e questionamentos disparados.

 

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ASSISTA

http://www.youtube.com/watch?v=9lp0IWv8QZY

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;">Uma mulher de 47 anos, desempregada, sendo mostrada de forma cômica, pega em situações escolhidas a dedo, como na hora em que ela esta comendo algo (um sanduíche, talvez), com efeito sonoro irônico no fundo. E depois, diante de uma platéia enorme e dos três jurados do programa, sendo alvo do riso ou do revirar de olhos de quem assiste.

Perguntam se ela está nervosa. Claro que sim, ela responde. Ela informa que música vai cantar: I dreamed a dream, do musical Les Misérables (música de Claude-Michel Schönberg, letra de Herbert Kretzmer e Alain Boublil, e libreto de Claude-Michel Schönberg e Alain Boublil). A expectativa aumenta a cada segundo que se aproxima de sua voz musical ser lançada no microfone. Então, Susan Boyle começa a cantar:

I dreamed a dream in time gone by
When hope was high,
And life worth living
I dreamed that love would never die
I dreamed that God would be forgiving.

Logo nas primeiras palavras da letra, a sua voz atinge todas as células do nosso corpo, num efeito muito mais real do que qualquer i-dose, e numa sensação profunda no nível (ou superior) a Anna Netrebko e Maria Callas. É para ouvir de pé e chorar.

No momento em que vi o vídeo pela primeira vez, havia mais de 12 milhões de exibições. A voz de de Susan Boyle é ouvida pelo mundo. Não sei a história dela, não sei como ela aprendeu a cantar (ou se sempre soube)… mas Susan Boyle é uma revelação para o mundo, numa apresentação breve que faz pensar em como as coisas estão indo.

As risadas contra ela eram puro sinal de preconceito. E agora, ela pode se tornar um exemplo para tudo. Um exemplo de que somos seres humanos e de nós podemos originar coisas belas. E uma lembrança de que cada um de nós é um ser único.

Por costume, ou mania, me vêm a mente as provas de concursos para carreiras jurídicas, especialmente as fases orais. Uma luta interminável pela padronização do conhecimento necessário para assumir um cargo público, como o de juiz ou o de promotor de justiça. Ano após ano, a consciência intelectual jurídica vem sendo constantemente destruída, esmagada, estilhaçada, para dar lugar à preparação para concursos e para o Exame de Ordem.

Não se veem cursos preparatórios para a advocacia. Não se encontram análises de talentos para se descobrir se os estudantes e bacharéis serão bons julgadores, bons acusadores ou bons defensores públicos. Legislatura após legislatura, incluem-se requisitos objetivos para admissões, como tantos anos de prática, determinado número de testes acertados e coisas desse tipo. Mas a pessoa em si é esfarelada como papel velho de burocracia antiga.

Exemplos como o de Susan Boyle nos fazem repensar muitas coisas. Faz-nos questionar se os pontos de discussão que se priorizam hoje seriam realmente os pontos mais importantes.

Se Susan Boyle lançar um CD (já lançou?), quantos não serão os milhões de pessoas que comprarão o disco? Muitos irão baixar gratuitamente, mas certamente milhões comprarão. E aí nós começaremos a perceber que talvez as discussões sobre direitos autorais não estaria mais tão ligada ao direito absoluto de manter obras intelectuais “invioladas”, mas passaria para uma outra questão: será que não estão deixando de vender porque há muito lixo sendo produzido?

Lembremos do High School Musical. Sucesso de vendas. Por quê? Porque o público gostou. Tropa de Elite? O público gostou, mesmo antes do lançamento… e vendeu bem. Susan Boyle: o mundo já adora. E vai vender muito.

Susan Boyle precisa de um agente honesto e de um maestro talentoso (se ainda não tiver, claro). Precisa ser levada ao seu sonho de ser cantora profissional. Precisa também de um bom gerenciador de estresse físico e emocional. E já se torna, como muitas celebridades, um exemplo valioso para o mundo!

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2 COMMENTS

  1. Eu tinha que escrever algo sobre essa mulher que me fez chorar como há muito tempo não choro e esse texto não vai pro blog porque estou tão extasiado com ela que não quero por enquanto colocar nada lá, quero ficar olhando e ouvindo ela cantar o maior tempo que conseguir.Eu estava na sintonia da “Divina comédia”, mas sinto que vou ter que pegar um atalho só por hoje para “Os miseráveis” de Victor Hugo que, aliás, há muito tempo anda falando comigo.
    Escrevo sobre Susan porque a quero como mais um dos verbetes da enciclopédia da minha alma, tudo que escrevo vem de dentro de mim e isso torna as palavras, os sentimentos e as pessoas parte da minha existência, o físico é ilusão, o pensamento que é o real. Susan parece ser a resposta a uma voz que há muito tempo clama dentro de mim , a mudança do mundo, a sensibilização dele torno-o um lugar menos hostil e mais feliz.
    Eu me identifico com Susan porque eu já senti na carne o que é ser desprezado pela crueldade de outros seres humanos, porque sinto a realização plena do meu corpo ao ter superado meus complexos, eu tenho baixa estatura para um homem, e isso sempre foi motivo de chacota, até um dia, até o dia que eu percebi que aquelas pessoas eram cegas, elas não viam o que eu tinha de maior em mim e eu resolvi mostrar ao mundo o que é.Hoje todos os dias quando acordo me orgulho de quem sou.
    Como Susan eu tinha preconceito comigo mesmo, uma amiga certa vez abriu meus olhos para isso, eu agradeço a ela por ter me fortalecido, acreditava no bullying que as pessoas adoram fazer com as outras, a humilhação é um prazer sádico inerente ao caráter humano, aprendi a rir das piadas que faziam comigo, fui aperfeiçoando minha percepção, aguçando meu olhar, aprofundando a minha sensibilidade.Assim a minha empatia se tornou um dom, assim como a expressão dos sentimentos mais íntimos.Aprendi com a vida e com a insensibilidade das pessoas a reconhecer o caráter de alguém apenas pela maneira dela olhar ou se dirigir a você.
    Susan fez girar a minha vida e hoje é um dia especial para mim, se sorrateiras minhas futuras rugas, quase sempre frutos de preocupação excessiva ou de stress maligno, estiverem nesse momento nascendo em meu rosto elas não serão como as outras, estas são marcas da expressão do meu sorriso

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  2. SUSAN CONSEGUI A TRAVÉS DA MÚSICA E DA SUA VOZ PASSAR A TODOS NÓS A SUA BELEZA INTERIOR. PARA MIM A MULHER MAIS BONITA DO MUNDO!

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