Abandono cultural (Fatos Ribeirão-Pretanos #5)

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Acesse a lista completa de publicações da coluna “Fatos Ribeirão-Pretanos”: http://gustavodandrea.com/2014/09/25/fatos-ribeirao-pretanos-lista-de-posts

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A cultura Ribeirão-Pretana está em fase terminal, prestes a morrer para sempre. Não é apenas por falta de vontade política, mas também por insensibilidade dos meios de comunicação locais. O que vamos fazer quanto a isso?

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Estamos próximos do dia de votação do segundo turno das eleições presidenciais em que Aécio Neves tem grandes chances de vencer Dilma Rousseff. Este seria um ótimo tema para tratar neste número da coluna, por causa do momento ideal para se fazer isso, mas estabeleci um limite mais ou menos flexível de tamanho para a coluna, e falar das eleições demandaria o espaços de dezenas de colunas. Para não ficar sem contribuir neste tema, eu recomendo a você: pesquise muito e leia os programas de governo, e não fique dependente apenas da opinião formada de outras pessoas.

Agora, voltando ao tema do abandono cultural em Ribeirão Preto. Reconheço que fui bem direto no primeiro parágrafo, e posso explicar os motivos. Começando pelos meios de comunicação. É claro que temos e devemos ter respeito pelos meios de comunicação, especialmente os meios locais que poderiam tratar de maneira mais próxima e realista sobre os temas que nos afetam. Mas temos que ter um olhar crítico também.

Pensar em Ribeirão Preto em seu significado histórico, econômico e sociocultural e, ao mesmo tempo, ver Ribeirão Preto como está sendo tratada… isto causa um choque. É um choque interno, entre que eu poderia esperar de uma cidade significativa como esta e a percepção do que estão fazendo com ela.

A questão da insensibilidade dos meios de comunicação surgiu depois que comecei a escrever a coluna desta semana. O tema do abandono cultural foi inspirado por uma matéria publicada na Folha de S. Paulo, no domingo passado (caderno Ribeirão C2, de 19 de outubro de 2014). O título e o subtítulo da matéria explicam quase tudo: “Crise afeta teatro, museus e até atividades a crianças: Prefeitura cancela festival de artes cênicas e deixa museus sem segurança”. Na matéria, são indicados fatos como estes: festival de teatro cancelado, os museus Histórico e o do Café sem dinheiro para manutenção urgente, e o Museu de Arte de Ribeirão Preto (Marp) sem guardas e sem câmeras de monitoramento, sendo que têm no acervo obras de Berti e Vaccarini.

Quando li sobre essas coisas, decidi escrever sobre elas esta semana e, claro, tentei aprofundar a pesquisa. E, surpresa! Não encontrei quase nada sobre o assunto na internet, exceto algumas outras matérias da própria Folha sobre o assunto, e pouquíssimas matérias em outros meios. Considerando as circunstâncias e a condição em que se encontra o nosso patrimônio cultural, acho que os meios de comunicação deveriam ser mais ativos na tarefa de conscientizar a população a respeito do que anda acontecendo e, também, da relevância da cultura para a nossa comunidade.

Veja, por exemplo, o Ribeirão em Cena. Alguns milhares de alunos já passaram pelo seu Curso de Iniciação Teatral. Gratuitamente. Você sabia disso? E sabia que eles estão sem dinheiro, a ponto de estarem próximos de encerrar suas atividades? E, voltando à artes plásticas, quem são Berti e Vaccarini mesmo? E Willy Peres? Nocera? Ah, sim, Van Gogh e Romero Britto você conhece, não é?

Quanto à falta de vontade política em relação à cultura, o que poderíamos dizer? De um leque de pontos que poderiam ser discutidos, eu destacaria, para ser simples e breve, o ponto da sustentabilidade cultural. O termo é “moderno” e com significado um pouco complexo, mas me parece que um pouco disso já é o que cidades inteligentes fazem há séculos: preservar seu patrimônio cultural, inclusive criando meios de se financiar, partindo das formas mais simples como venda de ingressos, guias e suvenires, até financiamentos maiores públicos e privados. Mas isso implica, também em deixar para trás a velha metatesiofobia.

Suficiente por hoje.

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Nota: mencionei nesta coluna a situação do Ribeirão em Cena. Eles estão tentando levantar uma soma para poderem continuar e, para isso, escolheram recorrer ao site Catarse, que é um tipo de recurso “crowdsourcing”. Eles estão indo bem, mas há um problema: se não conseguirem alcançar o valor-alvo, o site Catarse entende que não deu certo e devolve todas as doações e o Ribeirão em Cena não recebe NADA. Sem contar que há um prazo: até 7 de novembro de 2014. A campanha se chama “O Palco nos Une” e você pode você vai ajudar: http://www.catarse.me/pt/opalconosune.

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