Blog jurídico: atitude livre e construtiva em favor da realização dos direitos

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Atitude livre e construtiva em favor da realização dos direitos é uma das coisas ao que, para mim, deveria remeter a expressão blog jurídico. E o questionamento é uma prática importante para focalizar as análises e possibilitar o desenvolvimento do conhecimento.

Quando eu era granduando na faculdade de direito eu já notava que relativamente poucos juristas (Hugo de Brito Machado é um deles, considerando o que li da obra dele) tinham a disposição de dizer o que, no direito, estava fora dos trilhos. Não deixavam de explicar as normas vigentes e as lições da ciência do direito, mas também não paravam por aí.

Mais tarde, começaram a se difundir mais as obras jurídicas resumidas. Em certa época, acho que os resumos do Maximilianus Führer eram os mais famosos. No caso de Führer, parece que seus resumos são justificados pelo direcionamento a uma visão geral de várias área do direito. Mas, com a difusão, os resumos, publicados aos montes por várias editoras, se tornaram material de estudo, principalmente para concursos públicos. Provavelmente essa difusão coincidiu com a dos cursos preparatórios para concursos.

Por um lado, não seria reprovável a publicação de resumos jurídicos nem a existência de cursos preparatórios para concursos. Informação panorâmica e atualização do conhecimento poderiam ser algumas de suas justificativas. Mas, por outro lado, é preocupante observar a contínua e crescente pressão para consumo de conhecimento jurídico pronto e inquestionável. A origem isso talvez seja complexa, mas essa realidade fica estampada na atitude de muitos de nossos colegas juristas que estão batalhando por suas carreiras jurídicas, uma atitude de tensa e frenética atividade de memorização e limitação do tempo de reflexão.

Por que comecei este post falando de blogs jurídicos? Blogs jurídicos são fáceis de administrar e o autor pode ser o próprio editor. É evidente que existem diversos meios de comunicação em que os juristas podem publicar suas opiniões e questionamentos, tais como livros, artigos impressos, artigos digitalizados (em vários formatos de arquivo), jornais, revistas etc. Mas, a dinâmica possibilitada pela estrutura de um blog deveria ser bastante considerada pelos juristas que se sintam identificados com uma atitude livre e construtiva em favor da realização dos direitos.

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2 Comentários


  1. Concordo inteiramente.
    Aliás, conquanto também tenha escrito um “resumo”, não deixo de ser um crítico, como você, da cultura dos que só querem o conhecimento pronto e inquestionável. Costumo dizer para os meus alunos que pensam assim que, se todos fossem como eles, ainda estaríamos estudando o Código de Hamurabi, ou talvez nem ele…
    Saudações.

    p.s. – Ah, concordo também, inteiramente, com o que escreveu a respeito do meu pai. E veja que, apesar disso, o livro dele é adotado por muitos “concurseiros”. Uma coisa (a descrição) não prejudica a outra (a análise crítica), e vice-versa. Basta deixar a preguiça de pensar um pouquinho de lado.

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  2. Ter um blog jurídico dá trabalho, mas é a chance que temos de uma informação isenta.

    Parabéns pelo blog!

    Um abraço
    Fábio Schlickmann

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