Cidade sustentável: Projeto “Caçamba Social” e o descarte adequado de resíduos

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Qual é a linha divisória entre a vida privada e o espaço público? Para alguns, talvez seja apenas o portão da residência. Para outros, pode ser algo mais complexo, envolvendo as responsabilidades em cada âmbito. Um projeto chamado “Caçamba Social”, iniciado neste mês de abril de 2016, na cidade de Ribeirão Preto-SP (cerca de 660 mil habitantes, um pouco mais do que a população de Glasgow, Escócia), promete balançar os conceitos atuais sobre o público e o privado.

Cuidar do lixo: obrigação nossa ou dos “outros”?

A verdade é que o espaço privado e o público, em certos momentos, acabam se misturando numa relação indissociável, tal qual o reflexo de uma pessoa num espelho. É por isso que, muitas vezes, a falta de consciência particular sobre a importância do espaço público (e sua constante manutenção) tem feito inúmeras pessoas se isolarem nos seus restritos espaços privados e deixar que “os outros” deem um jeito no que é público.

O problema é que, de modo geral, não temos condições de, cada um por si, processarmos tudo aquilo que precisamos descartar. Enganam-se, porém, aqueles que pensam que a obrigação de dar a correta destinação do nosso lixo passa exclusivamente para o Poder Público, a partir do momento em que colocamos nossas inutilidades na calçada.

Os impostos representam nossa contribuição financeira para com o bem público. No entanto, trata-se de uma parte do que devemos fazer pelos benefícios comuns. Há algo que vale muito mais do que o tributo: a nossa atitude. É por isso que, ao meu ver, nada justifica certos comportamentos como o descarte, na rua, de material vegetal proveniente de jardinagem ou o hábito de não recolher a fezes caninas deixadas pelos nossos pets nas calçadas e canteiros.

Por outro lado, nem sempre é fácil descartar corretamente o lixo que produzimos. Jardineiros, muitas vezes, não têm mais do que uma simples bicicleta e seus instrumentos de trabalho. Lixeiras são frequentemente vandalizadas. Sacos cheios de lixo, muitas vezes, são remexidos por andarilhos que buscam qualquer coisa para comer. E a administração pública, por mais dinheiro que possa arrecadar, não consegue estar onipresente, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana.

A sensação geral é a de que “alguém precisa ter alguma ideia nova!” Alguém teve. E surge a “Caçamba Social”.

O Projeto “Caçamba Social”

Pensando nos problemas relacionados ao descarte adequado de lixo, na cidade de Ribeirão Preto, a Coordenadoria de Limpeza Urbana (CLU), coordenada por Marcelo Reis, inspirou-se numa ideia que há algum tempo havia surgido no âmbito do Legislativo do município e lançou o que é chamado de “Caçamba Social”.

Reis explica que o projeto é um passo importante para a solução de problemas que a própria CLU tem diagnosticado na cidade, inclusive por meio de trabalho sério de fiscalização, especialmente quando o assunto é o descarte irregular de resíduos. Os problemas eram visíveis em todo o território da cidade, tomando a forma de móveis deixados pelas ruas, lixo orgânico ou mesmo reciclável espalhado por canteiros e terrenos, entulho irregularmente depositado em todo canto e galhos e troncos de árvores ocupando vagas ao meio-fio ou mesmo bloqueando a passagem em calçadas.

A primeira ideia seria a criação de Ecopontos, mas essa estratégia demandaria um gasto de dinheiro muito grande em tempo relativamente curto. Pensou-se nas costumeiras caçambas, como aquelas alugadas por particulares, para o descarte de grandes quantidades de entulho ou lixo em projetos mais organizados, como, por exemplo, uma reforma. As caçambas têm, como vantagem, suportar uma quantidade grande de material e serem pesadas e fortes o suficiente para não ser facilmente removidas ou vandalizadas.

Então, adaptando a versatilidade e segurança dessas caçambas, criou a oportunidade para que houvesse caçambas de uso público, em locais específicos, a fim de que a população possa fazer sua parte e depositar adequadamente aquilo que não lhes serve mais. Mais do que isso, as caçambas sociais são individualizadas conforme o tipo de material a ser depositado, o que significa mais sustentabilidade, por meio de iniciativas direcionadas à reciclagem.

Um passo entre tantos outros

Quem acompanha as postagens oficiais da Prefeitura de Ribeirão Preto, no Facebook, provavelmente já se deu conta de que Marcelo Reis, que é formado em Gestão da Tecnologia da Informação, é um dos mais fervorosos entusiastas da divulgação das atividades do município nas redes sociais on-line. Ele, assim como outros colaboradores, tem publicado com grande frequência os trabalhos que estão sendo realizados diariamente pelo Poder Público em Ribeirão Preto.

Agora, a partir de um computador ou smartphone, e uma conta no Facebook, é possível ter uma visão mais ampla e global de como a cidade está sendo cuidada. Essa visão de todo é importante para que os munícipes entendam a magnitude do trabalho da Prefeitura e suas secretarias e coordenadorias. Para se ter uma ideia, em março de 2016 houve manutenção de mais de 70 praças em Ribeirão Preto, e a informação foi publicada na Internet, de maneira a que a população tivesse conhecimento imediato desse trabalho.

A “Caçamba Social” se insere nesse contexto, ou seja, numa atividade de divulgação e conscientização que vem sendo trabalhada já há algum tempo nas redes sociais, e representando um passo entre as várias iniciativas em andamento e acenando a inovações que, com certeza, surgirão. Um grande exemplo para o Brasil e para o mundo.

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  1. Parabenizo a matéria. Meus cumprimentos pelo artigo e principalmente pela visal futurista sobre assunto tão importante é recente em nossas vidas.

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