Conteúdo jurídico disponível e necessidade de filtragem

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Quem quer escrever bem e de forma útil e comunicativa, provavelmente vai se deparar com a necessidade de filtrar conteúdo. Na maioria das vezes, isso quer dizer: ler muito lixo. Essa foi uma conclusão que surgiu durante reflexões a respeito de como descobrir e acessar textos jurídicos que sejam suficientemente bons para se tornar fontes de conhecimento e objeto de interpretação, movendo o pesquisador em direção à criação de mais conhecimento.

O aumento monumental de conteúdo disponível para leitura geralmente é atribuído à facilidade de publicação possibilitada pelas ferramentas da web. Mas o volume de demanda também contribui para a proliferação de textos, e não apenas textos eletrônicos. Os impressos também.

Lendo recentemente partes de alguns livros jurídicos (impressos), foi possível vislumbrar que a marca de uma editora na capa de um livro ou um sobrenome famoso nessa mesma capa não são mais (se é que foram algum dia) garantia de que o que o leitor está consumindo não é lixo.

Eis um tema importante para debate. Dentre os assuntos relacionados, poderia ser discutida a temática da fundamentação. Inclusive, uma das formas de fundamentação que tem perdido a sua força é o argumento de autoridade (quando alguém cita algum autor considerado de renome para confirmar seu posicionamento).

Outra questão – em parte relacionada com a do argumento de autoridade – é a confusão que se tem notado, em certos textos, entre fundamentação e referência bibliográfica. Referências são importantes, especialmente para indicar corretamente a fonte das citações e também para proporcionar ao leitor um leque de outras leituras que ele porventura queira fazer. Por outro lado, incluir referências bibliográficas não é a mesma coisa que fundamentar.

Quem precisa compilar referências para um texto mais imediato (como uma petição judicial), nem sempre terá o tempo suficiente para fazer um filtro adequado. Parece que, nesse passo, a colaboração entre juristas se mostra muito importante, na medida em que se filtre colaborativamente o conteúdo jurídico disponível.

No entanto, a atitude colaborativa também não é garantia de qualidade de conteúdo. Então, volta-se à questão da necessidade de uma leitura tão abrangente quando exijam os objetivos de um projeto, podendo ser considerado natural o fato de nos depararmos com o conteúdos insatisfatórios.