CQC: Cadeira de três pernas é genialidade

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Um “homem de preto”, no centro de São Paulo protestando em favor da acessibilidade urbana a deficientes físicos, batendo de frente com o ilógico e irrespondível. Acreditem ou não, esta cena é séria e fez parte de um programa de humor genial, que teve um de seus episódios apresentado ao vivo ontem à noite.

Estamos falando do programa CQC (Custe o que custar), que já teve duas edições exibidas no canal aberto Band, tendo lugar sempre às segundas, pouco depois das 22h. Escolheram bem a cara do apresentador principal, Marcelo Tas, que está totalmente careca e com seu humor e voz inconfundíveis (alguém lembra do Professor Tibúrcio do Rá-Tim-Bum? Era o Marcelo Tas). O programa conta com Tas (ver o blog do Tas), Marco Luque, Rafinha Bastos, Rafael Cortez, Danilo Gentili, Felipe Andreoli e Oscar Filho. O CQC estreou há uma semana no Brasil, a partir de um modelo estrangeiro (o título original do CQC é, em espanhol, Caiga Quien Caiga). É um programa dinâmico, cheio de quadros que fazem a segunda-feira não parecer tão… segunda-feira.

Eu não pensaria em escrever sobre o programa neste blog, que é um blog jurídico, se não fosse pelo quadro Proteste Já! Ontem, o “protesto” foi a respeito da acessibilidade urbana para deficientes físicos na cidade de São Paulo. Sem perder o humor Rafinha Bastos acabou realizando um mini-documentário à la Michael Moore (Marcelo Tas já havia dito que haveria uma lembrança de Michael Moore, entre outras coisas, mas que o público perceberia logo a originalidade do programa – ver aqui) e que me pareceu ter um bom impacto social combinado com a irreverência do programa. Bastos acompanhou uma cadeirante desde a sua saída de casa, passando por uma espera de duas horas por um ônibus devidamente equipado para deficientes físicos e culminando no metrô de São Paulo, partindo da Estação Carandiru em direção à Estação Sé.

Por todo o caminho, foram sendo mostrados os obstáculos que os deficientes físicos enfrentam na cidade. No meio do quadro, um novo cadeirante também teve a oportunidade de participar. Bastos foi atrás das autoridades, para pedir uma explicação. Em uma das repartições públicas tomou uma cadeira de madeira como “garantia” de que um responsável retornaria uma ligação. Retornando, devolveria a cadeira. Quem assistiu o programa ontem sabe que, pelo menos até o final, a cadeira ainda estava no estúdio! Nada resolvido, portanto.

Mas a cadeira, agora está a apenas com três pernas. É que Bastos fez uma analogia, procurando demonstrar que deficientes físicos sem acessibilidade tem muito a ver com uma cadeira de três pernas… Para demonstrar isso, cerrou uma das pernas da cadeira, em público. Conseguiu enfim obter uma “promessa” de que até 2010 a questão estaria resolvida, pelo menos no metrô. Esperemos que sim!

O programa todo, mas especialmente o quadro Proteste Já!, é uma jogada de genialidade. Diferente de um programa que se destina apenas a fazer piadas e ridicularizar as coisas, é fácil perceber ali um tom de “como o correto pode ser incômodo”. O mesmo aconteceu no quadro em que Danilo Gentili, o “repórter inexperiente”, fazia uma matéria em um zoológico, perguntou a uma funcionária a respeito de uma placa comemorativa. Ao receber a resposta de que a placa era uma homenagem a tantos anos de trabalho de vários funcionários ali, ele, na sua “ingenuidade” perguntou se não seria melhor receber um aumento, em vez de uma placa. A funcionária se enfureceu e cortou a entrevista na hora, e Gentili foi expulso do zoológico.

A versão brasileira do CQC é ou não é um bom programa para segunda à noite?

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9 COMMENTS

  1. Assisti, bom o programa. Tem potencial para melhorar, ainda estão meio travados, mas acredito vai ficar muito bom.

    Mas já que é um blog de opinião jurídica, aí vai uma pergunta… quando vi pensei se eles não podem ter problemas por “depredação de patrimônio público” com essa história de “pegar” coisas e, pior, serrar coisas?

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  2. Oi, Suzana!

    Não perca o próximo então, hem!

    ……….

    Olá, Cristian! Obrigado pela visita.

    Boa pergunta. De fato, o apresentador do programa pegou uma cadeira pertencente ao patrimônio público e ainda cerrou uma das pernas dessa cadeira. A primeira coisa que pensamos é que houve pelo menos algum tipo de infração aí, como o furto por exemplo. Mas, o mais interessante é que o apresentador do quadro – o Rafinha Bastos – estava falando com um responsável pelo telefone e disse que ia levar uma garantia do lugar, até que a ligação fosse retornada em determinado prazo. Como a ligação não foi retornada, o Rafinha ficou com a “garantia” para ele.

    O “Proteste Já!” dessa segunda-feira mostrou algo muito comum no dia-a-dia das pessoas: ir a órgão públicos, e dificilmente conseguir falar com alguém que possa, ao menos, esclarecer dúvidas, e, além disso, não obter a atenção adequada quando se fala algo. E isso porque ele estava de terno e gravata, microfone e com sua equipe ali filmando.

    É claro que não vamos dizer que está certo levar uma cadeira que faça parte do patrimônio público e ainda ter uma de suas pernas quebradas. Mas o contexto em que isso aconteceu não deixa de ser interessante, não é?

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  3. Bom dia.
    Primeiramente meus parabéns pelo excelente blog.
    Venho através deste, pedir-lhe autorização para colocar um link de seu blog em meu site http://clovistelles.blogspot.com/ na seção de “Sites Parceiros”.
    Apesar de meu blog não estar no nível do seu, a intenção é de continuar sempre crescendo, e um dia chegar lá.
    Ao visitar o meu blog, e achando interessante e conveniente, por favor, coloque um link do meu site em seu blog, para que eu possa crescer mais, divulgando e discutindo idéias com os seus leitores.
    Mais uma vez meus cumprimentos. Obrigado Clóvis Telles.

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  4. Foi bem interessante. Assisti pelo youtube o “sequestro” da planta na primeira edição, e achei muito boa a idéia.

    Só achei que cruzaram um limite perigoso ao não apenas “sequestrar”, mas também danificar o objeto. Acho que a restituição de uma cadeira nova, do ponto de vista “ético”, pode resolve o problema nesse aspecto.

    Mas do ponto de vista estritamente legal, pelo visto, minha preocupação não é infundada, correto?

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  5. Olá, Clóvis. Obrigado pela visita e pelo elogio.

    Parabéns pela iniciativa de fazer um blog. Sucesso!

    ……….

    Olá, Cristian.

    A sua preocupação não é infundada. Vivemos em uma sociedade e vivemos sob um ordenamento jurídico. Mas a sacada do quadro do CQC é justamente o que seu título expressa: protesto. Sobre o assunto, então, seria possível ficar dias e dias debatendo.

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  6. Eu já tinha visto um pedaço do CQC argentino durante uma viagem, por isso fiquei muito feliz quando soube que seria lançada a versão brasileira. Não me decepcionei com as duas primeiras edições do CQC. A segunda já foi melhor que a primeira; os caras parecem estar se soltando aos poucos. Pra quem não viu, é só procurar no Youtube. Os caras pensam rápido e não fazem apelação. Sucesso pra eles.

    Do ponto de vista jurídico, é evidente que realmente eles furtaram e danificaram um patrimônio público, mas tudo dentro de um contexto de defesa dos hipossuficientes. Eu, se fosse juiz, aplicaria o princípio da insignificância e a ponderação de valores para absolvê-los.

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  7. Excelente!!! Humor com Inteligência e Veracidade dos fatos… Coitados dos programas como Pânico e Casseta… O público brasileiro precisa se acostumar com programas inteligentes qeu façam perguntas que todos gostariam. Acho a idéia do Rafa Bastos de levar “algo” como garantia simplesmente fantástica, pois lembrem-se é patrimônio público, é patrimônio nosso, que nos devem respostas e soluções, feito sem violência, apenas questionando o que queremos para o povo. Ontem o programa destacou a falta de transposte escolar…foi tão bom, que o “problema” já foi resolvido…E assim que deve ser…Sinto que temos a oportunidade de nos defender através de um programa de televisão. Parabéns pela iniciativa!!! Estamos finalmente vendo TV aberta…

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