[Crônica] Do futuro de nós mesmos (ou do pote de ior-gut)

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“Por que estás fazendo tudo isso?” pergunta uma potente voz interior, que desaparece em seguida. É tão evidente que eu não tinha nenhuma resposta para oferecer, e eu nem sabia para quem oferecer qualquer resposta que eu pudesse conseguir. E então, depois do jantar, vamos falar sobre… o futuro! Numa palavra: ele não existe.

Estamos lutando à toa, opinando demais e esperando acontecer alguma coisa. Ou estamos lutando, opinando e todo-nostálgicos, não é? Antigamente, a grama do vizinho era mais verde. Hoje não temos mais vizinhos. Temos “contatos”. Sabe o que é o mais engraçado? Quanto mais facebookiamos a vida, menos CONTATO temos!

Bem que psicólogos mais esclarecidos diziam que nos comunicaríamos por telepatia. A ideia era promissora, mas ninguém pensou que alguém encontraria um meio de capturar nossos pensamentos, transformar em perfis on-line e lucrar em cima disso. Quando alcançamos a capacidade de nos comunicarmos telepaticamente, informam-nos que precisamos focar na tela do device.

Você ainda sabe o que é uma rua quente com pessoas brincando? Sabe o que é um jardim, cheio de flores e plantas, e possíveis gnomos que só você pode ver? Lembra-se de algo assim? Lembra-se de esperar uma semente brotar, ou anda preferindo ver uma fotografia engraçada e ser o primeiro a compartilhar?

A humanidade já acabou. Se formos nos pautar pelo que está em voga, e pelo jeito que as pessoas deixam o mundo (nos dois sentidos: deixar, de partir; e deixar, de largar), a humanidade já acabou. Não vai dar tempo de o mundo aquecer até explodir. O ser humano está antecipando o seu fim.

A pobreza assola o mundo. E com ela, uma espécie de conformismo bem estranho. Conformam-se em não tomar iniciativa. Expliquem-me porque 100 pessoas que moram lado a lado olham para sua rua abandonada, cheia de entulho e gente dopada, e não fazem nada. Se não têm emprego, não conseguem quase sobreviver e não podem quase se alimentar, isso justifica ficar cego para aquele pote de iogurte jogado há semanas na sarjeta? Ou, perguntando de outra forma: por que não nos sentimos mais donos do Planeta Terra? Oh, a rua está poluída: os donos que a limpem!

E não estou falando de pobreza financeira, apenas. A pobreza de espírito é pior ainda do que isso. O grande plano mundial surte efeito: fazer todo mundo pensar que somos meros visitantes e que temos que pedir permissão para melhorar o mundo. É, de fato, algo em torno de uma hipnose generalizada.

O que consola é que o ser humano é mágico. Fica ali, em banho-maria e, de repente pode explodir. Daqui a pouco acontece, é só esperar. Daqui a pouco haverá um “surto” de consciência e todo mundo vai acordar dizendo: ora, mas esse planeta é meu! Pertence a mim, ser humano (e não a alguma instituição ou ONG). Não somos visitantes. Somos proprietários. E o governo vai ter que começar a pedir… não opinião, mas PERMISSÃO para interferir.

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[Crônica] Do futuro de nós mesmos (ou do pote de ior-gut), 8.2 out of 10 based on 6 ratings
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Gustavo D'Andrea é advogado especializado em Direito Digital, mestre em Ciências (Psicologia) pela FFCLRP-USP e doutor em Ciências (Enfermagem Psiquiátrica) pela EERP-USP. Mantém o blog Forense Contemporâneo desde 2005 e criou a Forensepédia.

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