Didática jurídica nas universidades e divisões do conhecimento jurídico

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A superação da divisão das universidades em departamentos é assunto de um texto do reitor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia-UFRB Paulo Gabriel Soledad Nacif, publicado na versão impressa da Folha de S. Paulo de hoje (26 de janeiro de 2010, p. A3). O título do texto é “Departamento universitário”.

O ponto que me chamou mais a atenção, no mencionado texto, foi a questão da interação entre disciplinas. Já há algum tempo tenho pensando sobre a questão da divisão das áreas jurídicas, e o texto de Nacif (embora não faça referência a nenhuma área específica do conhecimento) me inspirou a escrever sobre isso agora.

Como é feita a divisão entre disciplinas e áreas do direito? Acho que dezenas de livros dizem que o direito é uno, e que a sua divisão em áreas é meramente didática. Depois, acaba sendo dividido segundo alguns critérios, como, por exemplo, a finalidade da norma.

Há, provavelmente, um entrave ao avanço e aprimoramento da divisão do direito em áreas, entrave esse proveniente da cultura ou ideologia do “dominar todo o direito”. Nos concursos públicos, por exemplo, geralmente é exigido tanto “saber”, que os concurseiros se veem muitas vezes levados a se dedicar integralmente à memorização de leis, súmulas e doutrina durante anos para aumentar suas chances de responder a algumas questões e ser admitidos a algum cargo público.

A “necessidade” de se saber simplesmente tudo sobre todas as áreas do direito não apenas cria resistências ao estudo e desenvolvimento de novas áreas jurídicas, como também dificulta a visão interdisciplinar no direito (que representaria ainda mais conhecimentos a ser dominados pelo jurista).

Como a didática jurídica nas universidades poderia ser desenvolvida para ajudar numa salutar mudança no modo de ver o conhecimento jurídico e suas divisões?

1 comentário

  1. Acho que o Direito precisa de “foco”, veja a medicina , não conseguimos imaginar um oftalmologista fazendo uma massagem cardíaca , mas ele sabe fazer pois fez os seis anos básicos de medicina e residência médica, o que acontece no Direito é que os juristas tentam abraçar tudo visando apenas fins financeiros, a falta de um mergulho na especialização didática, profissional e de pesquisa impede o ordenamento jurídico conseguir um avanço exponencial em suas diversas áreas.Precisamos sim dividir o Direito em áreas e exigir que juristas escolham a sua. Nenhum profissional sabe tudo de sua área, não somos nós juristas que vamos saber tudo da nossa.

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