E não vai ter copa por quê?

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Entramos no mês de junho de 2014, mês em que ocorrerá a vigésima edição da Copa do Mundo, e a segunda vez que ela tem sede no Brasil. A primeira vez foi há 64 anos, em 1950, e nela o Brasil foi vice-campeão sob o Uruguai. O presidente do Brasil, em 1950, era Eurico Gaspar Dutra. Hoje a presidência do Brasil está sendo desempenhada por Dilma Rousseff e todo mundo espera que o Brasil ganhe essa copa.

Acontece que a situação sociopolítica no Brasil, neste momento, está num nível de confusão e complexidade imensas. Pessoas estão indo às ruas com o lema “não vai ter copa” e a mídia noticia com frequência os problemas do evento.

Vai ter

A Copa do Mundo vai acontecer. Custe o que custar, pelo que qualquer um pode entender dos mecanismos do mundo hoje. O que me faz escrever este post – estou contrariando o meu costume de começar de forma mais direta e estou contextualizando o texto só agora – é uma olhadela que dei numa loja da Nike.

Estou há alguns meses em Coimbra (Portugal), a estudo (estou no sanduíche… mas é mais chique dizer que sou pesquisador visitante). Bem no ano em que o Brasil sedia a Copa do Mundo, eu não estou lá. Então, lá na loja da Nike, muitas camisetas do Brasil à venda. Claro, eles sabem que tem muitos brasileiros por aqui e a loja parece ter sido repartida entre as seleções de Portugal e do Brasil. O fato importante é que estavam ali camisetas da seleção brasileira e então… recordei-me de algumas coisas (boas, mas a Nike não me pegou desta vez!).

A bem da verdade… sempre fui o último a ser escolhido para jogar futebol. Alguém tinha que ser e, é claro, a situação chegou a ser frustrante. Por outro lado, eu pude observar e perceber como o futebol é estranho. Já que eu não estava jogando (tocar a bola para mim era alguma coisa que o time adversário gostaria mais do que o meu próprio time), observei. E o futebol é estranho por um motivo: as pessoas se tornam violentas quando perdem (ou veem o seu time perder) no futebol – pelo menos de um ponto de vista brasileiro é isso que parece acontecer quase sempre.

Parece que paira no futebol brasileiro esse espírito: se não dá pra ganhar ganhando, então tem que dar pra ganhar à força. E vai haver uso de força para a copa acontecer, se for (entendido como) necessário. É inevitável. E enquanto a violência estiver sendo anulada por mais violência, a TV vai filmar um beco vazio e os comentaristas vão dizer com voz espiritual: “ashh pessoashh… já… se dispersam… as ruashh já eshhtão calmashh…”

Também nunca fui muito competente para assistir futebol. O gramado verde é sonífero e a cerveja é um gatilho para a minha enxaqueca. Apesar de que hoje a coisa está mais refinada e até dá para assistir tomando vinho. Ora… os jogadores até depilam o peito, e nem é para ter mais aerodinâmica. Bem refinado… (!!) Colecionar figurinhas? Bem, até tentei, mas como era difícil completar um álbum! Decorar nomes de jogares? Pior ainda. E ia perdendo um monte de figurinhas no bafo.  Eu preferia mesmo era jogar pingue-pongue.

O momento mágico

Mas… a Copa do Mundo sempre teve, para mim, um momento mágico: os rojões. Na hora que Ribeirão Preto inteira explode em bombas (de artifício), especialmente nos gols do Brasil, a situação muda. O coração quer vestir a camisa verde e amarela e comemorar, sabendo que toda a cidade e todo o país estão vibrando com a bola na rede.

E outra coisa que me recordo de copas mais antigas: parar tudo pelo jogo. Não precisar ir à escola ou, pelo menos, poder parar os estudos para ver o jogo e ver todo mundo fazendo o mesmo, como um dever patriótico.

Esses sentimentos, que na juventude acabam sendo predominantes porque os mais novos não pensam muito em sociedade ou em política, a não ser na aula de redação ou na de história, em meio a orações fervorosas pelo Santo Sinal, não deixam de fazer presença nos adultos. Por isso, podemos ter certeza de que muita gente (mas muita gente mesmo) está ansiosa para viver mais uma Copa do Mundo e, principalmente, esta Copa do Mundo, que vai ter lugar onde as pessoas mais sabem viver o futebol. Aliás, onde as pessoas mais sabem viver a vida: o BRASIL.

A Copa do Mundo precisa acontecer. Seria sadismo e egoísmo tentar frustrar o evento. As pessoas que se apaixonaram cegamente pelo lema “não vai ter copa”, provavelmente vivem com uma vontade de assistir ao desmoronamento da nação brasileira. E por quê, afinal? Porque é o que ferve no Facebook, talvez?

Estarei torcendo pela Seleção Brasileira aqui de Portugal.

A título de curiosidade: Jules Rimet era advogado e nunca jogou futebol.

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