Explicando o Twitter a juristas tradicionais (Parte 1)

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Observação: nesta primeira parte ainda não procurarei explicar o Twitter aos juristas tradicionais, mas focalizarei em dizer por que o Twitter deveria ser explicado a esses juristas.

Ao decidir escrever sobre como explicar o Twitter a juristas tradicionais, deparei-me com a probabilidade de que os leitores perguntem duas coisas: a) o que são juristas tradicionais?; e b) por que explicar a eles o que seja o Twitter? Para a primeira pergunta digamos que são tradicionais os juristas que não mergulharam no contexto de integração entre direito e tecnologia. São juristas que, embora talvez entendam o que está ocorrendo em termos de transformações no mundo jurídico através do uso de tecnologias, ainda assim preferem ficar centralizados em práticas tradicionais, tais como aulas e palestras expositivas (no meio acadêmico), doutrina (no meio editorial) e petições (no meio judicial).

Já os juristas digitais, que é como chamarei os juristas que estão ampliando seus conhecimentos, técnicas e práticas em direito digital e, portanto, estão engajados na integração entre o direito e a tecnologia (e, por incrível que pareça, procurei no Google por “jurista digital” e por “juristas digitais”, e não retornou nenhum resultado!), vão muito mais além do que aqueles padrões tradicionais. Sobre juristas digitais e sobre as limitações das práticas tradicionais, posso escrever depois, em outro post. O que importa é que temos agora uma noção básica do que eu quis dizer com “juristas tradicionais” (valendo lembrar que, com estes, evidentemente aprendemos muito e nos inspiramos, embora tenhamos muito o que conversar sobre a evolução daquelas práticas, especialmente com a ajuda da tecnologia).

O que mais importa agora é a segunda pergunta: por que explicar ao jurista tradicional o que seja o Twitter? É tudo uma questão de dialogar em condições equânimes, sem barreiras de compreensão e com a partilha de todos os elementos que comporão as regras do diálogo. Em outra palavras, trata-se de uma questão de compreender a linguagem através da qual se conversa. Assim como o mundo jurídico tradicional tem a sua própria terminologia, há uma terminologia mais avançada para o mundo jurídico digital. Deixando de lado as discussões sobre como a terminologia técnica às vezes é usada para excluir pessoas que não a entendam, as explicações sobre termos pode ser vista como uma forma de esclarecer sobre seu significado, permitindo que sejam afastados preconceitos e mal-entendidos, e que seja demonstrada toda a construção por trás dos termos.

Muito bem, mas o que tem a ver esclarecimento de terminologia e diálogo equânime? Tudo. Um exemplo hipotético pode ajudar a esclarecer. Mídias sociais podem ser usadas para discussões jurídicas. Suponhamos que haja uma discussão ampla, ativa e multidisciplinar sobre os riscos do uso de sachês energéticos por atletas, com indicações de links, argumentos, ideias, linhas de pesquisa, e com diversas pessoas do Brasil todo (e até de outros países) participando e estabelecendo contatos uns com os outros, aumentando as perspectivas de futuros debates, projetos, colaboração, oportunidades etc. Para construir este exemplo pensei em uma experiência real, o EaD Sunday (leia sobre isso aqui).

Certo… então, um jurista digital empolgado, com a cabeça cheia de boas ideias, tendo acabado de participar dessas discussões e feito realizar muito mais transmissões de impulsos nervosos nas sinapses do que seria possível em uma aula de leitura de artigos de código (aliás, essas aulas provavelmente matam mais neurônios do que provocam transmissão de impulsos nervosos) se vê diante de um jurista tradicional bem intencionado e resolve comentar a sua experiência nas mídias sociais. Infelizmente, é provável que a conversa não flua, porque o tradicional vai ficar tentando entender de onde surgiram todas essas ideias e previamente considerando impossível que isso tenha se realizado pela internet…

Então, para um diálogo equânime entre juristas tradicionais e juristas digitais sobre algum debate interessante que aconteceu no Twitter, é preciso que todos os participantes do diálogo entendam o que seja o Twitter. E, quem sabe, os tradicionais talvez até resolvam participar do Twitter também (o que seria realmente ótimo para que os debates ficassem ainda melhores).

……….

Atualização do post (em 2 de março de 2010): Veja também a parte 2 desta postagem.

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