Explicando o Twitter a juristas tradicionais (Parte 2)

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Na primeira parte desta postagem (ver aqui), procurei explicar por que o Twitter deveria ser explicado aos juristas tradicionais. Aliás, também expliquei o que deveria ser entendido por “jurista tradicional” e por “jurista digital”.

Nesta segunda parte, procurarei falar do Twitter, direcionando a explicação aos juristas tradicionais. Comecemos com algumas simples considerações:

  1. Twitter é um site na internet;
  2. Twitter permite ao visitante criar um cadastro gratuito com login e senha;
  3. Twitter permite ao usuário enviar mensagens de até 140 caracteres;
  4. Twitter permite ao usuário ler mensagens enviadas por outros usuários;
  5. Twitter permite ao usuário acompanhar as novas mensagens de determinados usuários escolhidos por aquele (isso se chama seguir ou follow);
  6. Twitter permite que as novas mensagens do usuário sejam acompanhadas por outros usuários que decidiram seguir (ou follow) aquele;
  7. Twitter permite acompanhar novas mensagens que contenham determinada palavra – normalmente os usuário utilizam o símbolo “#” antes de uma palavra para categorizar uma mensagem (isso é chamado de hashtag – exemplo: #direito);
  8. Twitter permite direcionar uma mensagem a determinado usuário – isso é feito utilizando o símbolo “@” seguido do nome do usuário a quem a mensagem será direcionada.

Há várias outras funcionalidades no Twitter. Mas, focalizemos na lista acima. Quando o usuário entra no Twitter com seu login e senha, verá uma caixa de texto e, sobre ela, a pergunta “What’s happening?” (em português seria: “O que está acontecendo?”). Basicamente, um usuário poderia escrever qualquer coisa simples como “Estou a caminho do fórum”. A partir de uma frase simples como essa, abre-se um amplo mundo de possibilidades que se afastam muito de uma menção egocêntrica e potencialmente evolui para uma verdadeira comunicação.

Pessoas inteligentes, capazes, profissionais e empenhadas no seu trabalho estão no Twitter. Por exemplo, Cláudio Colnago, Bruna Lyra Duque e Alexandre Lindoso são advogados que têm livros publicados. Eles estão no Twitter. Janice Ascari é procuradora da República e Jorge Araújo é juiz do trabalho. Eles estão também no Twitter. Da mesma forma, diversos outros juristas estão usando o Twitter. Então, uma simples frase pode provocar o início de uma troca de mensagens no Twitter, porque há uma grande probabilidade de encontrar por lá pessoas interessadas nos mesmos assuntos.

Um exemplo real

Início do teste: uma pergunta e algumas respostas

Fiz um teste no Twitter, com a finalidade de exemplificar o que estou falando neste post. Enviei pelo Twitter a seguinte mensagem:

“Estou fazendo um teste para um eventual post no Forense Contemporâneo. Respondam a pergunta: o STJ sempre se chamou STJ?” (ver aqui)

Minha intenção era receber respostas que mencionassem o antigo Tribunal Federal de Recursos-TFR. Em menos de cinco minutos, chegaram as duas primeiras respostas. Uma delas foi escrita por um usuário que protege suas mensagens (elas só podem ser lidas por que ele quiser), o que mostra que o Twitter permite ao usuário fazer configurações de privacidade. A outra das mensagens foi a seguinte:

“Sim. O Prof. José Afonso da Silva, de lege ferenda, sugeriu o vocábulo “Supremo”, mas não prevaleceu essa denominação.” (Escrita por Amílcar, que é autor do blog Direito Integral – ver aqui)

Logo depois, chegou mais uma mensagem do Amílcar:

“Isso em uma reunião ocorrida creio que na década 60, quando se começou a articular a sua criação. Posso conferir aqui, se quiser.” (ver aqui)

Segunda fase do teste: a pergunta se transforma em tópico de debate

Em poucos minutos, as mensagens sobre a pegunta que fiz a respeito do STJ (esperando resposta que mencionassem o TFR). O que era uma pergunta se transformou em um tópico de debate, e aproveitei para incluir algumas mensagens para provocar mais debates, para que os juristas tradicionais tenham bem claro na mente o potencial do Twitter. Abaixo, farei uma lista de algumas das mensagens enviadas a mim, pelo Twitter, sobre a pergunta que fiz (evidentemente, não incluirei as mensagens protegidas).

  1. “depende. você consideraria o TFR um antecessor do STJ? Ou um nada tem com o outro?” (Walter Petla Filho – ver aqui);
  2. “O extinto TFR, esclareço, não detinha competências que pudessem identificá-lo ao STJ. Não houve apenas mudança de denominação.” (Amílcar – ver aqui);
  3. “Então o TFR nada teria a ver com o STJ? (Só estou provocando para o post ficar mais interessante).” (Gustavo D’Andrea – ver aqui);
  4. “Não… existia o Tribunal Federal de Recursos. Estou certo? O STJ foi criado pela CF/88” (Eduardo Bahr – ver aqui);
  5. “teria. é o pai famoso. mas o pai antecede, não representa.” (Walter Petla Filho – ver aqui);
  6. “Em termos de competência recursal, os TRFs atuais seriam uma cisão do extinto TFR. O STJ, uma mimetização do STF.” (Amílcar – ver aqui);
  7. “Mais uma provocação: nenhum magistrado do TFR ficou no STJ, no início?” (Gustavo D’Andrea – ver aqui)
  8. “Desde a sua criação, o STJ se chamou STJ. Mas sua composição inicial se deu com o aproveitamento de juízes do TFR (ADCT 27, § 2º)” (Cláudio Colnago – ver aqui).

Conclusão do teste

Pode-se notar, pelo teste feito, que juristas inteligentes estão no Twitter. Eles são rápidos, dispostos a compartilhar de seus conhecimentos, pródigos em relação ao seu precioso tempo a ponto de fazerem uma breve pausa em seu dia, em plena terça-feira, para enviar mensagens dentro de um debate jurídico. Além disso, notamos que uma simples pergunta, não direcionada a alguém especificamente, atraiu pessoas interessadas no assunto da pergunta, e logo tal pergunta se tranformou em um tópico de debate.

Agora ficou mais fácil explicar o Twitter aos juristas tradicionais

Se você ainda não conhecia o Twitter, neste post você descobriu algumas das funcionalidades dele e viu um exemplo de como ele funcionaria na prática. Ficou mais fácil explicar o Twitter agora, porque você provavelmente já mudou seu foco: se antes você ponderava sobre o que seria o Twitter, acredito que agora você até se esqueceu momentaneamente que se trata de um site e que as mensagens são limitadas a 140 carcateres cada uma. Você passou a prestar atenção em duas outras coisas: o assunto do debate e as pessoas que participam do debate.

Os juristas de hoje (mesmo so tradicionais) passam muito tempo na frente do computador, elaborando suas peças e pareceres, enviando e recebendo e-mails e lendo artigos e notícias na internet. Como o Twitter é uma ferramenta simples, gratuita, rápida e concisa, seus usuários, muitas vezes, se habituam a acompanhá-lo durante o dia todo. Participar de um debate jurídico pode ser mais rápido do que uma pausa para o café, e nem por isso a participação seria superficial – por exemplo, a relevante informação “artigo 27 do ADCT”, por exemplo, tem apenas 17 carcateres (contando os espaços). A partir dessa referência, eu poderia procurar um artigo ou trecho de livro que falasse em detalhes sobre esse dispositivo.

Nos dias de hoje, a informação é muito valiosa. Mais valiosa ainda é a informação organizada. Uma vez escrevi a seguinte frase, em um post: “O termo informação nos diz muito. Mas a expressão informação organizada, nos diz muito mais.” Talvez o Twitter não seja a melhor forma de organizar a informação (aliás, ali as mensagens até são bastante desorganizadas), mas o fato de haver pessoas em tempo real dispostas a compartilhar de seus conhecimentos pode faciliar muito na busca e encontro de informação.

No debate exemplificado neste post, ninguém sugeriu nenhum link. Mas alguém poderia ter sugerido um link para um texto mais detalhado sobre o tópico do debate.

Qual é o próximo passo?

Para o jurista tradicional que ainda não está no Twitter, o próximo passo é se cadastrar por lá e dizer “Olá!”. Recomendo que sejam seguidos no Twitter os juristas que participaram do debate, que serviu de exemplo neste post: @DireitoIntegral (ver também o blog Direito Integral), @petla, @Eddiebahr (ver também o blog Amenidades Diametralmente Opostas) e @ClaudioColnago (ver também o blog do Cláudio Colnago).

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