Pisando em cocô de cachorro (Fatos Ribeirão-Pretanos #10)

0
💡

Confesso que, desta vez, estava bastante difícil escolher um tema para a série Fatos Ribeirão-Pretanos. É que acabei de pisar num cocô de cachorro, que estava bem no meio de uma calçada no centro da cidade. Não é fácil pisar em cocôs em Ribeirão Preto, pois é tão comum eles estarem nas calçadas que todo mundo já sabe que tem que olhar o chão. Tendo pisado, e tendo que escrever alguma coisa para a série, a minha cabeça está quase que inteiramente voltada a falar desse tipo de coisa: o quanto as pessoas se recusam a fazer o mínimo pela sua própria cidade.

passeio-cachorro

Eu não estava propriamente com vontade de escrever alguma coisa no sentido de crítica, hoje. Mas, acho que será inevitável. Por mais que me digam o tempo todo que pisar em cocô é sinônimo de sorte, não dá para ficar impassível diante de tanta porcaria nas calçadas da cidade. Vou ter que me desfazer dessa sensação de indignação por causa do cocô pisado, e vou fazer isso escrevendo este post.

Você tem uma rua, tem calçadas, tem um mundo fora das paredes do seu lar. Nós sabemos que o espaço público é público, as pessoas passam, de carro, a pé, de bicicleta ou de qualquer outro jeito. Então, de repente, o dia amanhece e coisas estão depositadas, amontoadas na base de um poste qualquer. Coisas que as pessoas não usam mais, coisas que elas não têm onde guardar e que não são retiradas pela coleta habitual de lixo. E, claro, vemos os cocôs, que certos donos de cachorros deixam de recolher.

O que será que se passa na mente dessas pessoas que sujam a cidade? Será que a vida delas é tão sem graça, tão triste, tão inferior, que elas não conseguem aceitar um ambiente limpo e organizado? Sim, isso é possível, pois muitas vezes acontece de uma pessoa não conseguir aceitar o que é bom, por achar que não merece! Então, ela se auto-sabota, faz tudo dar errado para si, e talvez até para os outros.

Ou talvez a vida delas seja tão carregada de egoísmo e ódio, que para elas torna-se insuportável a mera ideia de fazerem o bem de graça? Você já se deparou com aquelas pessoas que estão atravessando pela faixa de pedestres e, quando veem você chegando da carro, diminuem o passo, andando em câmera lenta, como que para te provocar? É desse tipo de gente que estou falando. Gente que é tão egoísta que até atrasa o próprio passo para que o seu ego não pense que ela estava sendo gentil com alguém.

Qualquer que seja a “explicação”, dá para notar que essas pessoas andam realmente muito perturbadas. O ego faz essas coisas. Às vezes até provoca o mal, para se sentir “esperto”.

Agora, é importante que percebamos que essas pessoas não vão mudar espontaneamente. Vão continuar sujando a cidade, e vão fazer isso porque não aguentam viver sem praticar um mal-feito na rua. Sempre vão ter desculpas esfarrapadas, do tipo “a Prefeitura é que deveria limpar a cidade, e não eu!” Essas pessoas, para se esquivar, são criativas.

O mais engraçado é que as pessoas são lembradas pelas marcas que deixam, seja ela o bom gesto, seja ela um cocô no meio da calçada.

É claro que a culpa não é só das pessoas que sujam a cidade, mas também de uma administração que não pensa em alternativas para que a qualidade de vida urbana se torne melhor. Neste aspecto, não adiantam aqueles discursos do tipo “precisamos avançar”, “agora é hora de inovar”, “a gestão precisa de uma lufada de ar fresco”.

Há alternativas. Há milhares de alternativas. Basta listar, planejar, operacionalizar. Não “precisamos” de nada. Está tudo diante do nosso próprio nariz, para ser feito. Não há carência de nada, a não ser gente que pensa em prol da cidade. Só isso.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here