Foren$e Wealth: A felicidade da atividade presente

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Nós sabemos que não há planta em época de semeadura. A semente precisa de um tempo sob a terra para germinar e brotar, e teremos que nos dedicar no cultivo e estar preparados para a futura colheita. Aprendemos desde pequenos, quando colocávamos alguns feijões crús sobre um algodão úmido, que as coisas crescem e se desenvolvem. Mais tarde, nos estudos, aprendemos que a repetição firma no cérebro os conhecimentos. E, no trabalho, nos é dito que o sucesso financeiro se dá da mesma forma.

Queremos acreditar que o dinheiro se multiplicaria com uma profunda dedicação ao trabalho e ao estudo, como se fosse uma plantação. Acontece, no entanto, que anos de dedicação consciente e perseverante não mostram no presente os frutos que no passado tínhamos tanta esperança em ver florescidos. Como podemos, então, continuar o nosso caminho tão enérgicos e determinados quanto antes, se agora a terra está seca mesmo depois de tanto empenho?

Na adolescência, caiu-me nas mãos um livro sobre o I Ching. Recordo-me de muito poucas coisas a respeito do assunto, mas lembro-me muito bem de alguns ensinamentos sobre mudanças, inclusive porque o I Ching é algo em torno exatamente disto: mudanças ou mutações. As coisas estão em constante mutação.

Com um pouco de receio – porque influenciado por outros livros que ensinam a não focalizar no passado nem no futuro – pensei em algo que pode se relacionar com o conceito de mudança constante e servir, ao menos, como um pensamento filosófico sobre o insucesso.

Momentos de sofrimento e desalento não são estranhos a ninguém. Mil desculpas aos meus amigos e colegas virtuais nas redes sociais, mas esta constante alegria, popularidade e radiante vida que nós insistimos em exibir na internet… bem, isto é, em parte, bastante falso. O ser humano sofre e vive de altos e baixos. E há momentos em que estamos mesmo lá embaixo, no fundo do poço.

Os momentos ruins da vida são típicos. Não nos lembramos de alguém que desejamos encontrar ou falar ao telefone. Nossa lista de amigos parece diminuir drasticamente. Tudo parece um deserto onde qualquer passo levará a um lugar idêntico ao anterior. Ninguém parece se lembrar de nós e o tempo parece ter parado bem no pior momento. A dor se torna maior quando vislumbramos em rápidos relances que a vida lá fora não acabou e não entendemos por que não estamos lá vivendo também.

Então, avisos da memória começam a piscar. Novos relances de vida nos vêm à mente, mas desta vez de momentos que nós vivemos, de atitudes que nós tomamos e de realizações que nós alcançamos. Lembramos que já tivemos momentos excelentes, mesmo estando longe dos nossos objetivos. Talvez tenhamos sido felizes porque estávamos, justamente, buscando objetivos e não lamentando pelas faltas que sentimos.

Como pudemos ser felizes se hoje a nossa tristeza e sofrimento são pelo insucesso? Ou estamos pensando de forma equivocada no conceito de sucesso ou estamos focalizando de forma equivocada a respeito da base da nossa felicidade. Em qualquer caso, o problema não é o insucesso. Será que conseguimos perceber isto?

Se fosse garantido a você que tudo o que você deseja ter hoje você terá – garantido, repita-se – em 10 anos, você não se encheria de felicidade e paz sabendo que o seu caminho está certo? Sim, a maioria das pessoas provavelmente se sentiria bem e, ao mesmo tempo, se arrasaria totalmente se a garantia fosse quebrada quando se completasse o prazo. Mas todos sabemos que não existe este tipo de garantia, de modo que não faz sentido nós mesmos nos garantirmos que em “x” ou “y” anos o sucesso vai chegar.

E insistimos em fazer aquelas auto-garantias! E quando um certo tempo de cultivo passa, uma eventual falta de resultado nos é mais dolorosa do que uma aguilhoada de escorpião. E o antídoto costuma ser o mesmo para muitos: a lembrança de que a felicidade está na atividade presente e no abandono das comparações internas e externas.