Google Wave para juristas: organização e colaboração

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No último dia 30 (set.09), a empresa estadunidense Google começou a disparar 100 mil convites para participação no Google Wave. Ao que parece, cada pessoa que conseguiu entrar na “onda” obteve cerca de 8 convites para distribuir para seus amigos, enquanto a nova ferramenta ainda não é aberta para livre cadastro do público. Mas, o Google Wave já se mostra como uma febre e, se vocês olharem o trending topic para #googlewave, no Twitter, verão centenas de milhares de tweets onde são pedidos convites e também outras mensagens, provavelmente falsas, em que se oferecem dezenas ou centenas de convites em troca de “follow + RT”.

Recomendo acessar o Google Wave Invitation System, um aplicativo onde o usuário pode pedir ou doar um convite para o Google Wave. Peçam por ali seus convites, mas quando puderem, voltem ao aplicativo para doar pelo menos um de seus convites.

Ainda não consegui um convite, mas dá para sentir que o Google Wave já está sendo uma grande sensação. Para ajudar os juristas a entender do que se trata, vamos considerar o Google Wave como uma ferramenta e também como um ambiente. À primeira vista e sem ter nunca usado (apenas assisti ao vídeo de apresentação do Google Wave), eu diria que se trata de uma ferramenta tecnológica capaz de ajudar os juristas na organização de suas tarefas diárias, além de ter potencial colaborativo, traduzindo-se em um ambiente virtual em que as pessoas podem construir conteúdo em conjunto umas com as outras.

Onde estamos no momento? Digamos que o momento atual é de transição, onde a maior parte dos internautas ainda não pode usar o Google Wave. Então o que temos? Para contatos interpessoais temos e-mail, messengers (MSN ou GTalk, por exemplo) e talvez as listas de discussão (ou grupos); para criação, edição, publicação de conteúdos, bem como debates a seu respeito temos fóruns, blogs, microblogs (como o Twitter) e wikis; e para apresentação individual na web temos as redes sociais. É claro que as funções dessas ferramentas se combinam umas com as outras e transitam através daquelas. Basicamente, o que é importante observar é que temos múltiplas ferramentas e múltiplas funções com as quais lidar, vários sites para visitar e contatos espalhados de forma praticamente aleatória em diversas ferramentas.

Chega então o dia em que ganhamos uma espécie de secretária chamada Google Wave. Ela vai possibilitar que tudo o que temos que fazer na internet (enviar e responder e-mails, criar e editar documentos, conversar com as pessoas, publicar conteúdo na web etc.) seja bastante – mesmo que talvez não totalmente – centralizado em um só ambiente.

Agora, vamos dedicar alguns itens neste post para tentar descobrir o que o Google Wave poderia representar de tão especial para os juristas.

Juristas, organização e waves

Admitamos ou não, muitos de nós estamos ávidos pela criação de uma espécie de central para nossas atividades jurídicas na web. Cada jurista que navega na web jurídica se desdobra em ideias criativas que o permitam lidar de forma organizada com as centenas de coisas que precisa fazer diariamente e com a avalanche de informações e conhecimentos que todos os dias lhe chegam diante de si para analisar, apreender, comentar etc. Para isso, usamos os favoritos do navegador, sites de social bookmarking, listagens de tarefas como a extensão Tasks do Gmail ou o site Remember The Milk, além de frequentemente usarmos papel (cadernos, blocos de anotações etc.).

Uma das grandes dificuldades em lidar com tudo isso e manter um mínimo de organização é que nunca sabemos qual é realmente a melhor forma de anotar coisas, uma vez que usamos de vários meios que, às vezes, nunca mais revemos após um primeiro uso. Por exemplo, estou quase conseguindo vencer um velho costume, que é o de iniciar um caderno toda vez que tenho alguma ideia que considero grande e que pareça exigir um caderno inteiro e exclusivo para os esboços que, sempre suponho, aparecerão minuto a minuto. No entanto… na maioria das vezes o caderno não passa da décima folha.

Não é saudável (e às vezes nem ecológico) lidar com montes de meios diferentes de anotação, se não é alcançada a finalidade própria da anotação (que é ajudar-nos a deixar a mente mais tranquila para pensar em coisas mais importantes). Quer dizer, anotamos de várias formas em vários meios, para facilitar nosso trabalho, e no entanto diariamente nos deparamos com perguntas como onde mesmo anotei isso?, em que pasta guardei aquele link? ou será que estou esquecendo de mencionar alguma coisa no meu artigo?

Então alguém inventou o Google Wave (a nossa “secretária”) e nos vemos diante de um conceito simples e com enorme potencial: wave (que significa “onda”, em inglês). Pensemos em wave como sendo, de início, um espaço em branco na tela do computador. Eis onde está a simplicidade. Agora, expliquemos o seu potencial: uma wave pode receber um título e o espaço em branco pode ser preenchido com conteúdo (texto, imagem etc.). Ao criarmos uma wave, ela será listada em nossa lista individual de waves. Então, cada vez que precisamos colocar alguma ideia ou atividade em perspectiva (no meu caso, isso costumava demandar a inauguração de um caderno ou de um bloco de anotações) podemos simplesmente criar uma wave.

Vamos a um exemplo mais prático. Eu acordo em pleno meio de semana e me surgem cinco atividades diferentes para fazer no dia. Como na noite passada não listei minhas tarefas como deveria, então eu abro o meu Google Wave e crio uma wave com o título “02OUT09 – Tarefas de hoje”. Escrevo então no corpo da wave:

02 de outubro de 2009

Tarefas de hoje

  1. Reler o item sobre exceptio non adimpleti contractus em Silvio Rodrigues
  2. Refletir sobre a continuidade do Projeto 701
  3. Escrever um post sobre o Google Wave
  4. Escrever o item 2.1.9 do artigo sobre criminologia
  5. Revisar determinado verbete na Forensepédia

Ao longo do dia, enquanto desempenho as tarefas, posso criar várias waves para diversas finalidades. Uma para anotar alguma passagem interessante que li sobre a exceptio; outra para anotar ideias sobre o Projeto 701; outra para conter um rascunho do post que estou escrevendo. E poderei voltar a outras waves criadas anteriormente, como uma contendo o esboço do artigo sobre criminologia e outra com o conteúdo que fará parte de algum verbete na Forensepédia.

Somente neste breve exemplo, eu eliminei várias formas dispersas de anotação e ganhei tempo. Em vez de anotar uma citação num caderno, o fiz numa wave; em vez de esboçar um artigo num editor de texto, o fiz numa wave; em vez de fazer o rascunho de um post na plataforma de edição do blog, o fiz… bem, você já entendeu.

Em resumo, Google Wave e as waves que podem ser criadas representam uma grande evolução na organização das tarefas que o jurista precisa desempenhar diariamente. Poderá criar novas waves conforme as tarefas o exijam, e depois pode voltar a consultá-las para melhorar seu conteúdo, adicionar anotações, revisar e utilizar o conteúdo, assim trabalhado, em posts, artigos, petições, verbetes, fóruns de discussão etc.

Juristas, colaboração e waves

Entendido como as waves podem servir para organização dos juristas em suas tarefas cotidianas, podemos dar mais um passo e pensar em como as waves poder servir para a colaboração entre juristas. Tomemos a tarefa número 3, conforme nossa lista: “escrever um post sobre o Google Wave“. Eu sei que alguns colegas estão atentos à funcionalidades do Google Wave e poderiam me ajudar tornar este post muito melhor. Sei que meu amigo Gustavo Rocha escreveu sobre advocacia 3.0 há alguns dias e que meus amigos Bruno Teixeira e Fernando Nery estão ansiosos para testar o potencial de colaboratividade do Google Wave.

Pois, bem. O que posso fazer – o Google Wave permite isso – é adicionar o Gustavo, o Bruno e o Fernando na wave onde estou esboçando o post. Deixo então um recado para que eles façam comentários que entenderem pertinentes e depois eu confiro as anotações deles sobre um post meu antes mesmo de tal post ser publicado. Meu post ficará muito mais interessante, e contará, claro, com agradecimentos e links relacionados aos meus amigos. Eles, por sua vez, poderão fazer o mesmo, e de repente posso me ver participando de waves criadas eles e por outras pessoas.

Usamos aqui o exemplo da colaboração na criação de um post. Mas são várias as formas de colaborar por meio de waves. Mais alguns exemplos: criação de modelos de petição, esboço de teses específicas a serem usadas em petições, listagem colaborativa de ementas de julgados sobre determinado assunto, criação colaborativa de esboços de verbetes jurídicos ou de páginas para serem publicados em wikis, elaboração de resenhas de livros ou resumos de matérias para servir de material para estudo para a faculdade (graduação e pós-graduação) ou concursos públicos etc.

Mais algumas palavras…

Este post ficou, de certa forma, extenso. É possível notar o grande potencial que tem o Google Wave no campo da organização das tarefas cotidianas dos juristas e da colaboração entre juristas. Como foi visto, a ferramenta/ambiente ainda não está aberta para todo o público. Resta-nos esperar por um convite, para que possamos verificar na prática se todas essas expectativas procedem.

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11 COMMENTS

  1. A edição de 30/09/2009 da Revista Carta Capital, pág. 74, informa que serão “apenas” 100.000 cadastrados na primeira fase.

    Uma única ferramenta proporcionando diversas possibilidades como as referidas, impressiona!

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  2. Gus, ótimo post. O mais interessante aqui é refletir sobre as diversas aplicações do Wave não só no universo jurídico, mas em todos os outros mundos. Os seus exemplos retratam bem a aplicabilidade novo “brinquedinho”, especialmente o das anotações, que foi extremamente pertinente. A gente se perde nos pensamentos, nos papéis e na infinidade de recursos. E ter uma “bagunça organizada” (carinhosamente chamada de Google Wave) é mais do que louvável. Para preparar aula vai ser uma mão na roda. E agora só quero ver esses posts colaborativos 😉
    Abs!

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