Havanna: Tableta de Chocolate con Leche

2
💡

Cidade AlfajorNunca estive em Wall Street. Mas por um momento me senti como se estivesse por lá, ou pelo menos como acho que me sentiria se passasse por entre aqueles prédios enormes que vemos nos filmes rodados em Nova York (EUA). Pois bem: ontem à noite eu andava pelo Ribeirão Shopping, que tinha o ar bem gelado em comparação com o forno que estava a cidade lá fora. Eu acabava de contemplar o enorme prédio de escritórios que fica dentro do estacionamento do shopping, bem ao lado de uma unidade do hotel Ibis, também dentro do estacionamento. Depois de subir as escadas rolantes que levam a uma das praças de alimentação do shopping, caminhei mais alguns metros, já por entre as lojas, para parar em um quiosque da marca argentina Havanna, conhecida por seus alfajores.

É a primeira vez que a cidade tem um ponto de vendas dos produtos Havanna. E faz bem pouco tempo que há aquele quiosque, onde somos atendidos por uma simpática mulher de uns 40 anos (que ela me desculpe se ela tiver menos) tão eufórica que mal consegue conter os sorrisos de alegria – imagino que seja a dona do ponto, mas não perguntei.

Fiz a volta inteira pelo quiosque, procurando alguma coisa para dar de presente a um amigo. Claro que escolhi os alfajores. Mas, as barras de chocolate chamaram minha atenção. Fiquei atraído especialmente por uma barra embrulhada em um papel azul. Era uma tableta de chocolate con leche. Não é um chocolate com preço módico, mas resolvi experimentar (não sei ainda exatamente por quê – seria pela novidade?).

De volta ao exterior (do shopping, não do País), abri a embalagem do chocolate, quebrei um pedaço e experimentei um quadrado daqueles que, como todos os outros, tinha um escudo, coroado, com um h maiúsculo gravado. Talvez pelo cheiro da embalagem; talvez pelo nome Havanna (que, com um n a menos, é também o nome da capital de Cuba); talvez pelo calor, ainda mais extremo pelo contraste com ar condicionado do shopping… mas certamente pelo sabor meio metálico do chocolate, lembrei do sabor de um charuto. Um charuto qualquer, não necessariamente um cubano. E ouvi em meu pensamento uma música interpretada pelo Buena Vista Social Club, grupo também cubano que se impressionou com Nova York, em filme de Wim Wenders.

Wall Street – Nova York – Argentina – Havana – Cuba – Nova York – Cuba – Brasil. Como um spray de desodorante, tudo se dissipou. As calçadas da cidade continuam feias, os cachorros continuam levando seus donos para vê-los fazer cocô nas gramas mais verdes dos outros. Entulho e trânsito caótico. E um calor exagerado.

Nunca estive em Wall Street. Só imagino como me sentiria se passasse por ali um dia. Não preciso querer aqui tudo o que Wall Street parece nos filmes. Mas não é um direito pelo menos desejar ruas e calçadas ao menos transitáveis?

2 Comentários

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here