História imaginária 2 – Frankfurter Buchmesse 2006

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E aqui vai mais uma história imaginária, do nosso imaginário advogado – que agora tem um nome: Bob Law. Acho que um pouco de ficção e literatura é saudável. O que seria de nossas vidas ser não fosse a arte?

Bob Law está na Alemanha, porque resolveu visitar a Feira do Livro de Frankfurt (ou, em alemão, a Frankfurter Buchmesse). Acordou bem cedo para visitar a feira. Já sabia que neste ano a Índia é a convidada de honra do evento, e por isso foi direto ver os livros deste país.

Da visita de Bob Law à feira, um diálogo foi o que mais o marcou e, por isso mesmo, foi a primeira coisa que contou aos seus colegas advogados aqui do Brasil. Bob Law, vestido com seu usual traje forense, estava olhando para algumas capas impressionantes de livros, quando um homem vestido de terno e gravata, que estava ao lado de uma mulher também muito bem vestida, o abordou, e o diálogo foi assim (na verdade o diálogo foi em alemão, mas aqui está em português):

HOMEM DE TERNO E GRAVATA – Bom dia, senhor. Como vai?

BOB LAW – Bom dia. Vou bem, e o senhor? Bom dia, senhora.

HOMEM DE TERNO E GRAVATA – O senhor é advogado, não é?

BOB LAW – Isto é tão evidente? Como o senhor sabe?

HOMEM DE TERNO E GRAVATA – Notei como o senhor olhava alguns livros sobre direito, e seu olhar era de um advogado. Enquanto você olhava estas lindas capas de livros, o olhar de advogado ainda estava em seus olhos. E agora, enquanto conversamos, este olhar permanece.

BOB LAW – Interessante. Eu gostaria de saber identificar a profissão de alguém somente pelo seu olhar. E o senhor, o que faz?

HOMEM DE TERNO E GRAVATA – Também sou advogado, em Berlim. De onde o senhor é?

BOB LAW – Sou do Brasil, e vim especialmente para esta feira.

HOMEM DE TERNO E GRAVATA – Quero dizer que seu alemão é perfeito. Acredito que o senhor deva ser um ótimo advogado, não apenas porque o senhor fale bem o alemão, mas também pelo seu olhar…

BOB LAW – Obrigado. Mas, por que o senhor é tão ligado no olhar de uma pessoa?

HOMEM DE TERNO E GRAVATA – A visão é o único sentido que a deusa da justiça não tem. Eu gostaria de acreditar que esta deusa exista. Mesmo assim, o seu significado está presente. Quando o advogado ou qualquer outro profissional que trabalhe com o direito se empenha em ver, em enxergar os fatos e defender os direitos, ele está fazendo um papel importantíssimo para a realização da justiça. Costumo dizer aos meus alunos que os advogados são os olhos da justiça.

BOB LAW – Caro senhor, acho que temos muito o que conversar. Podemos almoçar juntos?

E depois, é claro, eles aloçaram juntos, estando presente a mulher que estava ao lado do homem de gravata, ou seja, a esposa dele, como Bob Law viera a saber, como soube também que a sua profissão era a de juíza, mostrando muita intimidade com o direito. Bob Law notou que eles eram muito informados sobre o Brasil, inclusive fazendo perguntas sobre as eleições, sobre as previsões para o segundo turno nas eleições presidenciais, entre outras coisas. E Bob Law se sentiu bastante valorizado com isso.

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Gustavo D'Andrea é advogado especializado em Direito Digital, mestre em Ciências (Psicologia) pela FFCLRP-USP e doutor em Ciências (Enfermagem Psiquiátrica) pela EERP-USP. Mantém o blog Forense Contemporâneo desde 2005 e criou a Forensepédia.

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