História imaginária 5 – Jus Café

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Mais uma história imaginária de nosso personagem – o advogado Bob Law.

Bob Law teve um sonho. Ele estava caminhando por um bairro de uma cidade do interior, por volta das 17h, e a brisa e o sol tornaram a paisagem agradável. Ele caminhava sem preocupação, sem nenhum rumo específico. Eis que Bob Law se viu diante de uma pequena rotatória, e, em uma esquina, viu uma bela construção, toda feita de vidro e aço. Pessoas entravam e saíam de lá, e havia um toldo cinza, onde se lia: “Jus Café”. Isto chamou a atenção de Bob Law, que resolveu entrar naquele lugar.

O interior do Jus Café era aconchegante. Tratava-se de um café, com tudo o que um café pode ter: expresso, cappuccino, chocolate, sucos, pães, tortas, e muitas outras coisas. Muitos ali vestiam trajes forenses. Em uma mesa, um grupo de advogados discutia sobre uma nova lei. No balcão, um magistrado pedia um café irlandês. Dois estudantes de Direito acabavam de entrar no café, levando cada um o seu Vade Mecum. Em uma parede estava escrito, em neon: “aberto 24h”.

Bob Law aproximou-se do caixa, e logo foi abordado por uma mulher de cerca de 40 anos, com um avental que levava a marca “Jus Café”. Houve o seguinte diálogo:

Clarice – Olá, doutor. Vejo que é a primeira vez que vem ao Jus Café. – ela pronunciou ius café – Seja bem vindo. Meu nome é Clarice, e sou proprietária do lugar. Estamos abertos vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Sinta-se à vontade. Espero que fique para o debate de hoje. Será sobre maioridade penal.

Bob Law – Muito obrigado, Clarice. Meu nome é Bob. Law. – Bob Law estava maravilhado. – Posso tomar um pouco do seu tempo? O que é este lugar? O que é este debate?

Clarice – Temos todo o tempo do mundo, Dr. Law. Vamos nos sentar nesta mesa. Gostaria de um café? – Sem esperar resposta, ela mandou que uma moça trouxesse um café para Bob Law. – Você está no que eu chamo do projeto da minha vida. É o minha contribuição ao mundo jurídico. Criei o Jus Café depois de anos trabalhando como advogada. Eu sempre sonhei em ir a um lugar onde houvesse pessoas reunidas para falar de direito, sem que fossem palestras e congressos. Nada contra palestras e congressos, mas eu sempre imaginava um lugar, um ponto de encontro, sempre aberto, e sempre acolhedor. Um lugar onde qualquer pessoa pudesse falar e debater, a qualquer hora.

Bob Law – Então criou o Jus Café. Isto é simplesmente genial!

Clarice – Obrigada. Temos também, debates semanais. São debates sobre qualquer questão que se queira debater. Na semana passada, o debate foi sobre o aquecimento global. Um estudante de Direito levantou-se e proferiu um discurso impressionante, inclusive fazendo com que um desembargador aposentado o elogiasse em público.

Bob Law – E quem são os debatedores?

Clarice – Quem desejar. Estes debates semanais são sobre temas que escolho pessoalmente. Mas, há debates todos os dias. Às vezes, vários debates ao mesmo tempo. Muitas vezes, há debates até de madrugada.

Bob Law – Impressionante, Drª. Clarice.

Clarice – Apenas Clarice, por favor.

Bob Law – Certo. Mas, não vou mais tomar o seu tempo. Voltarei aqui sempre que puder. Não poderei ficar para o debate de hoje, infelizmente. Pagarei o café, e voltarei em breve.

Clarice – Obrigada por estar conosco, Dr. Law. Ah, este café foi por nossa conta. E, lembre-se: aqui temos todo o tempo do mundo.

Eles se levantaram e se abraçaram, como se se conhecessem há anos.

Então, Bob Law acordou. Estava em um hotel. Então, lembrou-se que estava em Ribeirão Preto (SP) a convite de um amigo. Resolveu fazer uma caminhada. Ele caminhava sem preocupação, sem nenhum rumo específico. Eis que Bob Law se viu diante de uma pequena rotatória, e, em uma esquina, viu uma bela construção, toda feita de vidro e aço. Pessoas entravam e saíam de lá, e havia um toldo cinza, onde se lia: “Jus Café”.

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