O Exame de Ordem e as faculdades de Direito

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Ontem foi divulgado o resultado do 126º Exame de Ordem do Estado de São Paulo, e em uma notícia no site da OAB/SP intitulada “Exame de Ordem bate novo recorde de reprovação e OAB SP vai abrir diálogo com faculdades” afirma-se que foram aprovados 7,16% dos 21.132 inscritos.

Duas são as principais críticas que têm sido feitas: a de que o Exame de Ordem está muito difícil; e a de que as faculdades de Direito não estão preparando bem os seus alunos. Mas não está comprovado qual o real problema.

Quanto à dificuldade do Exame de Ordem, devemos considerar que, na vida profissional o Advogado poderá se deparar com casos de alta complexidade, dos quais muitas vezes não poderá se esquivar. Alguns diriam que o conhecimento vem da experiência. Mas tão importante quanto a experiência é o preparo. Então, parece que, se o Exame de Ordem está mesmo cada vez mais difícil, é porque está sendo dada maior importância ao preparo do Bacharel para que, quando for Advogado, enfrente as crescentes dificuldades da carreira.

Quanto às faculdades de Direito, onde o candidato se forma e se prepara, devem ser levados em conta vários assuntos (não apenas pensando em provas e concursos, mas dando atenção à própria formação do aluno de Direito), por exemplo: a pressão psicológica que sofre o aluno no momento de enfrentar um problema jurídico prático; a formação e a vocação do professor para ensinar; a preocupação da faculdade para com o aluno, individualmente; o ambiente de ensino jurídico; a proliferação de cursos jurídicos especializados em concursos; a formação do jurista.

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Gustavo D'Andrea é advogado especializado em Direito Digital, mestre em Ciências (Psicologia) pela FFCLRP-USP e doutor em Ciências (Enfermagem Psiquiátrica) pela EERP-USP. Mantém o blog Forense Contemporâneo desde 2005 e criou a Forensepédia.

2 Comentários

  1. Prezado Dr. Gustavo,
    Permita que acrescenta às suas considerações a minha opinião: o exame de ordem é material e formalmente inconstitucional. Atenta contra o princípio da isonomia e não cabe à OAB, mas ao MEC, avaliar os bacharéis e os cursos jurídicos.
    assim, não basta discutir, apenas, se o exame é necessário ou não e se os cursos de direito ensinam, ou não.
    Veja a minha página: http://www.profpito.com/exame.html
    Atenciosamente,
    Fernando Lima
    Professor de Direito Constitucional da Unama – Belém/PA

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