Quer desistir do curso de direito? Saiba como

8
💡

Um dos maiores prazeres que existem, para quem mantem um blog do tipo do Forense Contemporâneo, é escrever sobre dicas direcionadas a estudantes de direito, especialmente considerando que a grande massa de artigos, hoje, na internet, direcionados a este público são sobre temas relacionados ao Exame de Ordem da OAB ou a concursos públicos. Assim, são pouco exploradas outras questões que afetam os estudantes de direito, em especial aqueles que estão começando o curso, ou mesmo os que ainda nem entraram na faculdade. É, de fato, um prazer escrever para este público, porque sei o quanto se trata de pessoas que valorizam este tipo de informação, e assim os resultados se tornam ainda melhores.

Imagem: "Ghost", por albertopveiga, no Flickr (licença CCBY)
Imagem: “Ghost”, por albertopveiga, no Flickr (licença CCBY)

Hoje escrevo especialmente aos estudantes de direito que pensam em desistir do curso, deixando para trás o sonho de fazer e concluir a faculdade de direito. O direito é um curso muito romântico, tem toda uma magia especial, comparável apenas com a medicina. Quem faz direito ou medicina, geralmente estão em busca de ideais, de sonhos de uma carreira brilhante, bem sucedida e de altíssimo status social e financeiro. Não que outros cursos não causem estes sentimentos, mas nas conversas informais, direito e medicina estão mais presentes, talvez pela amplitude dessas áreas.

Acontece que, como já se pode perceber logo nas primeiras semanas de curso, o direito não é fácil. Há muita coisa para ler, e a leitura não é como aquela que fazemos quando estamos folheando revistas, ou lendo livros de ficção, como Harry Potter, Senhor dos Anéis, ou qualquer coisa do John Grisham. Olhar para o tanto de anos que faltam para o curso acabar, com tantas atividades, resenhas, peças, aulas, provas, trabalhos, resumos, simulados, estágios… é desesperador! A luz no fim do túnel está tão longe, que quase nem dá para ver. Parece mais uma estrela inatingível no céu.

É compreensível que, neste contexto nada amigável, muitos estudantes pensem em desistir do curso de direito. Querem, simplesmente, matar os seus sonhos, cortar pela raiz seus esforços e jogar fora tudo o que já aprenderam, para então dedicar-se a qualquer outra coisa que lhe passe um alívio.

Você conhece o fantasma do curso de direito incompleto? Se não, leia o post até o fim. Mas, antes de falar do fantasma, veja como você poderia desistir do curso de direito. São três formas principais de desistir:

  1. perder a confiança em si mesmo;
  2. esquecer-se de que a dor é temporária;
  3.  comparar-se com os outros.

Explicando melhor as três formas de desistir do curso de direito

Perder a confiança em si mesmo: acontece quando você acha que não é capaz de fazer as coisas com as quais se comprometeu. Geralmente, essa perda de confiança é acompanhada de pensamentos como “eu não posso!”, “eu não consigo!” ou “eu não aguento!”. Adicionalmente, existe o sentimento de “tudo ou nada”, pelo qual qualquer mínimo fracasso significa a morte, e qualquer sucesso não parece ser mais do que obrigação. Ao perder a confiança em si mesmo, você pode até conseguir alguns sucessos, mas logo que consegue, por exemplo, um 10 na prova, minutos depois o medo volta e você começa a se torturar de novo. A perda de confiança em si mesmo torna qualquer obstáculo muito maior, causando vergonha em você. Por exemplo, uma simples dependência, que no fundo só é chata quando tem que ser paga, torna-se como um castigo por um delito muito grave. Enfim, perder a autoconfiança é achar que você não é, de fato, aquela pessoa especial que tentava ser o tempo todo. Se você perdeu a confiança em si mesmo, é mais fácil desistir do

curso.

Esquecer-se de que a dor é temporária: se você for uma pessoa saudável, que se cuida e se alimenta direito, e ainda cuida do corpo e da mente, você terá uma boa expectativa de vida. Ainda que você só viva 60 anos, a faculdade de direito não dura tudo isso. Aliás, você já viveu muitos anos antes de entrar na faculdade, e não são muitos anos até se formar. Agora, você pode acabar se esquecendo disso e pensar que todas as suas dores, ansiedades, preocupações e dificuldades são eternas, intransponíveis e fazem parte do seu ser, a não ser que você destrua tudo e desista do curso. E mais, esquecer-se de que a dor é temporária também é esquecer-se de que ela é necessária, de modo que, quase sempre, uma dor dá lugar a outra. Se você acha que as dificuldades do curso são eternas, fica mais fácil desistir do curso.

Comparar-se com os outros: um dia você tinha um sonho, tão seu, tão íntimo que parecia algo sagrado. Era, sim, algo sagrado para você. Então você toma a grande decisão de entrar na faculdade de direito e, surpresa! Dezenas de pessoas com o mesmo sonho e, muitas delas, aparentemente se dando muito melhor do que você. Tem gente que consegue estágio tão fácil! Tem filhos de professores, advogados, juízes etc., na sala, com uma carreira garantida! Tem gente que só tira 10 na prova e sabe tudo o tempo todo! E você? Olha para tudo isso e pensa: “eu não sou tão bom como essas pessoas…” Seus sonhos acabam parecendo ridículos para você mesmo, e você até se envergonha de ter sonhado tão alto. Vendo tanta gente tirando tudo de letra, você acaba pensando que aquilo, no fundo, não é para você. Se você se compara com os outros e tem vergonha dos seus sonhos, fica mais fácil desistir do curso.

Conclusões

É totalmente evidente que eu não quero que você desista. Acontece que, muitas vezes, palavra de ânimo não funcionam muito bem para quem já está decidido a desistir. A decepção, às vezes, aprofunda-se tanto que a ajuda de alguém acaba parecendo somente dó, e não uma ajuda sincera.

O tom deste post foi para chacoalhar você. Sei que você deve ter corrido para ler o que estava escrito aqui, pensando que eu incentivaria a desistência do curso de direito, mas não!

Eu quero que você, seja você quem for, continue até o fim, amando a si mesmo (sem perder a autoconfiança), sabendo que terá recompensas (pois a dor é apenas temporária) e sendo você mesmo (sem se comparar com ninguém).

Ah, o fantasma do curso de direito incompleto

Olha, eu conheço gente que conhece gente que já viu. Eu não tenho nem coragem de descrever o aspecto deste fantasma, porque me causa arrepios só de pensar. Eu tinha mais medo dele quando eu era estudante de direito e, depois que completei o curso, o medo diminuiu, mas ainda tenho sonhos de que estou na faculdade e o fantasma corre atrás de mim.

Ele só ataca pessoas que desistiram do curso de direito. Como todo fantasma, ele tem certa ética, pois sabe que tem gente que simplesmente não tem condições de continuar o curso, seja por doença, seja por problemas financeiros ou qualquer coisa do tipo. Mas aqueles que desistem por decisão própria, serão assombrados por este fantasma pelo resto da vida. E o pior: os que desistem, muitas vezes acabam vendo, no futuro, que sabem mais sobre direito do que os que muitos do que, de fato, se formaram!

E quer saber mais um segredo? O fantasma não é como a dor, que é temporária. O fantasma persegue para a vida toda!

8 Comentários

  1. Olá, muito obrigada por ter dedicado seu tempo à escrever esse blog, pois nada me faria não desistir da faculdade, mas depois de ler tudo isso, eu decidi ir em frente, custe o que custar, sim, estou tendo muita dificuldade, cansaço, entendimento de algumas matérias, financeiro também, mas eu quero saber o que tem no final do curso, mesmo que eu nunca seja uma juíza ou advogada, eu quero me formar, pois já tive uma formatura frustrada da outra faculdade fiz e eu preciso provar para mim mesma que dessa vez vai ser diferente!! Enfim, OBRIGADA!!

  2. Boa noite,
    Acabei de ler e realmente me sinto assim, como se isso não fosse para mim, que não mereço, pois é um sonho muito alto. Obrigada pelas palavras, vou colocar a teimosia na minha frente e ir a luta.

  3. Obrigada! Isso me ajudou muito eu estava e estou ainda muito desanimada estudo e quanto mais estudo mais confuso é a matéria, sinto um nó na alma um peso imenso não consigo carregar e quando vejo as minhas notas o desespero vem, sei que não é fácil , mas também não é impossível e cada um escolhe o que quer pois somos do tamanho dos nossos sonhos, irei dar prioridade ao curso de direito e desapegar de algumas coisas para focar somente na faculdade .

  4. Olá,
    As vezes eu gostaria que fosse por minhas inseguranças que eu tenho vontade de desistir, mas só o sinto em relação a me comparar de vez em quando aos outros (sei que falta muita dedicação de mim e eu poderia ir melhor).
    O maior problema, portanto, é que eu, já passando da metade do curso, não consigo me enxergar trabalhando no direito e tenho muito medo de me formar e acabar com um diploma na gaveta e ficar me perguntando porque eu fiz tudo isso quando poderia ter desistido.
    Pensei por muito tempo quando queria desistir que eu estava realmente gostando das matérias, e, de fato, sempre gostei de uma ou duas cadeiras, no máximo, porém como não vi muito da prática, não sei bem ao certo o que fazer sobre.
    Obrigada por esse texto incrível que pelo que vejo ele ajudou muita gente.

  5. Muito obrigado pelas palavras , e é isso mesmo , tinha perdido minha confiança em mim mesmo e ,já tinha até esquecido de meu sonho ou motivo por entrar no curso,
    DP. Quem nunca né ,um passo de cada vez
    Quando vc é reprovado em uma matéria vc fica se culpando e o desânimo vem ,mais vem também ah esperança que encontramos em um blog como o seu
    Parabéns pelo incentivo!!

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here