Ribeirão Preto flutuante (Fatos Ribeirão-Pretanos #11)

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Ribeirão Preto tem se tornado uma imitação da cidade de São Paulo. O aspecto do mês de dezembro deste ano de 2014 antecipa o que, provavelmente, veremos em 2015: uma cidade impossível de assimilar.

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Há uma nova característica na cidade que, talvez, a maioria das pessoas não parou para analisar. É o novo murmúrio metropolitano. É um som. Um som que a cidade não tinha antes, e que agora possui permanentemente. Parece o som do mar, mas o mar de verdade está muito longe.

Será que existem navios fantasmas que navegam fora d’água? Mesmo sem mar, o murmúrio sem origem está sussurrando dia e noite. Mas, nenhuma palavra pode ser entendida. Não há palavras. Ninguém consegue se comunicar com esse som, nem compreender nada dele. Mas, ele está ali. Constante e envolvente, de um jeito que fica tão presente que ninguém mais nota a sua existência.

Talvez, quem sabe, seja simplesmente o vibrar das fundações, porque a cidade parece estar sempre em obras. Sempre faltando acabar alguma coisa. Nunca descansa, e nunca oferece oportunidade para ninguém descansar. Uma diminuta São Paulo, tão grandemente desconfortável… tão… propositadamente desconfortável?

Talvez… Talvez não seja nada, a não ser um mar invisível. Pelo menos, o enjôo está presente, ao lado do murmúrio marítimo. A cidade anda balançando, balançando. E por mais que pareça que coisas estão sendo feitas, nada sai do essencialmente necessário para que o navio não afunde.

Aliás, se Ribeirão Preto fosse um barco, a cena seria gente tirando água com balde, embora jogando não sei onde. Não tem mar.

A fantasia que a cidade tem de ser um barco (cheio de água, inclusive) parece impedir que ela se estabeleça. Mesmo se eventualmente atracada, ainda estaria boiando. Aliás, ninguém quer morar num navio atracado. Ou as pessoas estão em terra firme, ou em alto-mar.

De uma coisa podemos ter certeza: a cidade não é uma sonda petrolífera. Se fosse, buscaria riqueza nas profundezas, tal como cidades que se valem do subsolo para organizar algumas coisas essenciais, como a fiação elétrica e uma canalização de água potável mais forte. Permitiria, assim, uma reestruturação visual da cidade.

Acho que pensei em petróleo porque está na moda. O certo seria pensar em diamantes. No mar é que ficam as sondas. Aqui é um ribeirão. Ou melhor… Não, não é este tipo de ribeirão! É outra coisa.

Ribeirão Preto está parecendo um Great Eastern. Cheio de problemas, navegando lentamente em direção a um mundo de “oportunidades”. Já pensou? Júlio Verne em cima de um barco, num curso de água que não chega ao tamanho de um rio?

Está ficando complexo demais. Fantasias são assim mesmo. Elas não se fundamentam muito bem. É melhor acordar e perceber que Ribeirão Preto não é, realmente, um barco.

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