Riscos da tecnologia: ‘Cheirar Cocaína’ e outros aplicativos do Android

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Um "print screen" do site do Google Play
Um “print screen” do site do Google Play

“Cheirar Cocaína” não é o único aplicativo polêmico para smartphones. Há algum tempo, Nilton Kleina, do TecMundo, listou e comentou “10 aplicativos que foram banidos de tablets e smartphones”. O aplicativo mencionado está disponível para download no site do Google Play (que disponibiliza aplicativos para o sistema Android), assim como outros aplicativos que poderíamos chamar de “impróprios”, e gratuitos (como, por exemplo, o jogo erótico – classificado na categoria “raciocínio” – “Sexy Seductive Girls Puzzle”).

No Brasil, ainda estamos relativamente adormecidos para as questões sócio-políticas da vida on-line móvel. É bem comum nos depararmos com um grande número de pessoas adultas que usam muito menos as funções dos smartphones[bb] do que as crianças à sua volta. E essas funções são, na maioria das vezes, enormemente intuitivas, fáceis de usar.

A facilidade de uso, o baixo custo da conexão e a falta de um controle familiar mais atento, são fatores que potencializam as consequências negativas, especialmente sobre as crianças que se veem livres para navegar e obter gratuitamente aplicativos e jogos violentos, preconceituosos, imorais ou eróticos. E a sua natural e ingênua curiosidade não pode ser culpada disso.

Porém, a que preço estamos deixando em segundo plano o debate profundo sobre os pontos negativos da tecnologia? Será que o Estado está “ligado” no que está acontecendo? Devemos notar que nem toda a problemática da tecnologia é questão de persecução criminal (área que parece avançar bastante no Brasil, quando o tema é a criminalidade “cibernética”). Outras questões, no entanto, precisam ser pensadas, entre elas a da responsabilidade da família quanto ao acesso das crianças ao conteúdo on-line (e o papel do Estado de mantê-la amplamente informada e atualizada sobre os riscos desse conteúdo); a da propriedade intelectual e a da tributação da publicidade on-line; e a dos eventuais abusos que as grandes multinacionais podem vir a praticar na aplicação unilateral e desmotivada de seus “termos de uso” (banindo usuários, interrompendo serviços, criando direitos e obrigações etc.).

Lembremos de um dado importante: o usuário é o maior “ativo” da internet. O sucesso dos grandes sites, aplicativos ou sistemas operacionais (tais como o Facebook e os diversos produtos do Google, incluindo o Android e o YouTube) devem-se em grande parte à atividade e à criatividade dos usuários, que geram conteúdos e potencializam o tráfego. É isso que permite as grandes empresas terem tanto e tão diversificado conteúdo para oferecer, e poderem ter certeza de que vender publicidade é um bom negócio.

Repito aqui o que escrevi no post “Instagram: novos termos de uso e polêmica sobre direitos autorais”: “Portanto, para qualquer serviço do gênero, muito cuidado. Dê valor às suas criações e não se renda a promessas de divulgação e “likes”. Tem muita gente interessada na sua propriedade intelectual. Ainda mais quando o autor é brasileiro (o povo mais criativo do mundo).”

E acrescento: não aceite que sua família seja desrespeitada com produtos como o aplicativo “Cheirar Cocaína”.

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