Um drama familiar

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Eu deveria estar escrevendo, neste momento, sobre o leite longa vida, e os seus problemas atuais. Mas, lendo os comentários que os leitores deste blog fazem, deparei-me com um bem longo e dramático. Ele foi escrito pelo leitor Ronaldo, no post “Lei 11.441/07 – Inventário, partilha, separação consensual e divórcio consensual por escritura pública” (o comentário por ser lido aqui). Ao ler o mencionado comentário, pensei que deveria escrever um post sobre ele.

Preciso dizer que é realmente gratificante receber no blog tantos leitores, sendo que alguns deles se sentem confortáveis em compartilhar seus problemas pessoais e, quem sabe, encontrar alguma inspiração. Tudo bem, aqui não é o programa da Oprah, mas se o leitor ao menos vem aqui e percebe que há centenas de pessoas passando por situações difíceis (ou seja, percebe que ela não está sozinha), então isto já é alguma coisa.

É evidente que nenhum blog jurídico poderia resolver todo e qualquer tipo de situação jurídica específica, sendo sempre essencial que um advogado ou defensor público seja consultado pessoalmente para este tipo de finalidade. Bom, eu já disse isso muitas vezes por aqui. Agora, entendo como salutar que sejam debatidos alguns assuntos de maneira mais geral. E o contexto do comentário de Ronaldo é algo a ser muito debatido.

Segundo o comentário, Ronaldo tem 63 anos de idade e está passando por um inferno pessoal. Ele mesmo fez referência ao “inferno de Dante”. É um drama familiar: esposa vai para o exterior em busca do sonho americano; a filha começa a namorar um rapaz “esperto”; o pai (Ronaldo) tem um enfarto… Tudo isso agravado pela velha questão do dinheiro sumindo da conta… a filha tentando suicídio após brigar com o namorado… E ainda esta mesma filha indo em busca da mãe, no exterior. E, para explodir tudo, adivinhem quem aparece? Sim, ele, o famigerado, o ser estranho: o PROCESSO! Sim, um processo em que a filha, que fará 18 anos em menos de um mês, exigirá que seja pago estudo no exterior.

Notem: tudo isso foi contado aqui no blog pelo próprio Ronaldo, no mencionado comentário.

É necessário frisar que não conhecemos Ronaldo nem sua família. É impossível defender ou atacar um ou outro lado. Não sabemos nem ao menos se a história é real, ou é uma ficção. Também não sabemos se a história toda está ali. Pois a questão aqui não é a de pre-julgar uma situação que mal conhecemos. O senhor Ronaldo e os demais leitores provavelmente concordarão com isso, e não devemos exigir que haja mais detalhes. A questão é outra.

Qual é a questão, então?
A questão é que uma história dessas pode ser bem real para algumas pessoas (incluindo Ronaldo). Não sabemos exatamente quantos podem estar vivendo uma situação assim. Mas é bem provável que muitos estejam vivendo seus infernos pessoais neste exato momento e estejam lendo este blog. E uma história como a de Ronaldo cair aqui, em um comentário, faz desse blog, mais uma vez como em tantas, um lugar onde o leitor se sente à vontade para desabafar e perguntar.

Sendo assim, o que me cabe dizer agora? Posso dizer milhões de coisas, mas vou escolher um ponto que pode, ao menos, inspirar alguns leitores. O ponto é o seguinte: a Justiça está do lado de quem a procura. Este é um ponto para reflexão e debate.

E vamos agora a mais 5 tópicos para refletir, quando se enfrenta um “inferno pessoal” onde haja um processo. Vai soar um pouco como auto-ajuda, mas…

Tópico 1: “Meu advogado me representa”
Parece óbvio? Bom, nem todo advogado faz o cliente sentir que está realmente sendo representado. Quem nunca ouviu falar de pessoas que contratam advogados e, quando percebem, elas mesmas estão nos balcões dos fóruns tentando entender o que está acontecendo no processo? No contexto constitucional brasileiro, todos têm direito a ver seus direitos garantidos e realizados. Mas, acho que seria muito proveitoso se houvesse expressamente, em nosso ordenamento jurídico, essa cláusula: toda pessoa tem direito a ter um advogado que (realmente) a represente.

Tópico 2: “Meu advogado quer me ouvir”
“Não… não está… sim, sei que ele ficou de entrar em contato há duas semanas… não… só na próxima semana…”. Esta é a típica fala da secretária do advogado que não quer realmente ouvir o seu cliente. Se é verdade que um advogado deve realmente representar seu cliente, deve ser tanto verdade que ele deve realmente ouvir o seu cliente. Se você fala com seu advogado, mas não existe uma relação personalíssima de confiança que te permita falar sobre a sua situação sem parecer que esteja tomando o tempo do doutor, então algo está errado. Acredito que há uma grande diferença entre um advogado que realmente ouve e representa o seu cliente e aquele que faz, digamos… “marketing jurídico”. E o cliente é quem melhor pode perceber isso.

Tópico 3: “Não vou sofrer por antecipação”
Tendo um advogado que te escute e que te represente, é importante ficar atento. Mas não é recomendável fazer excessivas suposições sobre os eventuais males do futuro. Exatamente porque são males eventuais, quando se trata de um processo. E, ainda, porque, se realmente vierem males futuros, que energia será usada, se você tiver usado toda ela sofrendo por antecipação? Poderíamos perguntar: como vai a sua vida HOJE?

Tópico 4: “Minha saúde vale mais do que este processo”
Tensão. Estresse. Preocupação. Dor de cabeça. Gastrite. Estes são apenas alguns exemplos das conseqüências que podem recair sobre a saúde de uma pessoa que esteja em meio a um processo judicial. Qual o sentido de tudo isso? Em que estes sintomas irão ajudar? É claro que nem sempre é fácil controlar estes sintomas. Mas pense nisso. Vale a pena sofrer tanto?

Tópico 5: “Perder uma ação não é o fim do mundo”
Ninguém pode prever como um processo vai terminar. Você pode ganhar ou perder. E perder pode ser justo ou injusto. É evidente que ninguém precisa aceitar como justa uma derrota judicial. Mas, tendo um advogado que realmente o escute e o represente, e cuidando-se da saúde, fica mais fácil encarar uma derrota. Um processo é um momento muito difícil: as partes geralmente não conseguem dialogar, então o julgamento da situação fica para uma terceira pessoa, o juiz. Se você perde uma ação, é melhor encarar o fato com firmeza do que se desmoronar inutilmente.

Espero que este post tenha servido, ao menos, como inspiração.

2 COMMENTS

  1. Olá a todos.
    Nuca fui processado por ninguem, porém é de se imaginar o “quanto deve ser dificil” para um leigo em direito, seus caminhos etc., e de certa forma “sofrível” ser processado em qualquer esfera.
    Ser um réu ou ré!
    Mas realmente, sofrer por antecipação, isto demonstra ansiedade antecipatoria, que poderá fatalmente terminar numa depressão ansiosa entre outros “males da mente”
    Não sou psicologo e nem medico psiquiatra.
    Aprecio a leitura e estudo deste tipo de tema.
    Uma vez constituido um advogado de confiança, representante legal,
    como diz o povão em referencia ao nosso presidente Lula.
    “DEIXEM O HOMEM TRABALHAR”
    Nada de ficar telefonando para o advogado a cada momento de ansiedade para saber como anda o tal processo.
    Assim penso.
    Abraços
    A.Italo

  2. gosto muito desse espaço oferecido pelo nobre advogado meu nome e OSEAS DE CAMPOS fiquei conhecido pelo habeas corpus 82959 no supremo tribunal federal gosto muito do direito penal e d ajudar as pessoas em conseguir o beneficio de progressao de regime meu msn e cantor.oseasdecampos@hotmail.com

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