Uma carta irada aos adolescentes conectados sobre os perigos da Internet

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Caro jovem conectado,

Que bom que você parou um pouquinho a sua rotina agitada para ler esta carta. Estou escrevendo a você, seja quem você for, esteja você onde estiver, para te contar uma coisa muito importante: estamos todos muito preocupados com os perigos que a Internet representa para as novas gerações. Se você me conceder alguns minutos do seu tempo e de sua atenção, você poderá entender que essa preocupação não é um exagero dos adultos e, se eu conseguir te convencer disso, talvez você possa ajudar outras pessoas da sua geração.

Esta carta não existe para assustar ninguém. Aliás, o medo é uma ferramenta muito usada para induzir as pessoas a fazerem o que elas não querem fazer. Esta carta é, isso sim, informativa, esclarecedora. Há verdadeiros perigos na Internet, mas não é preciso que ninguém fique apavorado. Quanto mais consciência houver, mais estaremos protegidos.

Todo adulto já foi adolescente um dia. É claro que muitos adultos não se lembram muito bem de como foi a sua adolescência e, neste ponto, os adolescentes estão em vantagem, pois conseguem observar a realidade de uma maneira muito mais intensa.

“Os velhos desconfiam da juventude porque foram jovens.” (William Shakespeare)

Acontece que, se me lembro bem de como era ser adolescente, nessa fase a gente acha que tem superpoderes. Um monte de ideias vão aparecendo e quando se trata de tecnologia, queremos estar atualizados em tudo. E sobra energia para vararmos madrugadas, aprendendo e testando todo tipo de novidade. Quando adolescentes, temos também muito tempo para desenvolver nossas habilidades: digitar mais rápido, jogar melhor, conhecer todas as atualizações daquele site “proibido” e ainda dar conta das infindáveis matérias da escola (mesmo que nunca consigamos entender para que elas servem). Isso sem falar das novas experiências… Os primeiros beijos, as confidências, sair só com os amigos… A adolescência é mais ou menos assim, não é? Uma mistura entre proibido e “necessário”.

Tudo isso deixa loucas as pessoas que te amam. É o instinto de proteção. Se você é um adolescente típico, provavelmente dirá calmamente aos adultos: “eu posso me virar”. E você sofre porque ninguém acredita que você, realmente, possa se proteger. Eis o eterno conflito entre adultos e adolescentes. Tenha calma, pois isso tem sido assim há séculos, e provavelmente será assim por muito tempo ainda.

Quero que você apenas preste atenção, neste momento, num assunto de grande importância: com a Internet do jeito que está hoje, dessa maneira em que tudo parece ser possível e fantástico on-line, a sua geração está em perigo. E o principal perigo está nas “segundas intenções”. Fazer alguma coisa impensada na Internet hoje é tão perigoso quanto fazer sexo sem camisinha. Uma palavra publicada, um “nude” enviado ou um link clicado num site pornô… tudo isso pode parecer inofensivo, mas pode ter consequências muito difíceis de resolver, em especial por causa de pessoas mal-intencionadas que estão a todo momento à espreita. E sabemos que você, assim como a maioria dos adolescentes, simplesmente tem curiosidade e acha que essas coisas “que falam por aí” nunca aconteceriam com você. O fato é que podem acontecer, sim.

“Não sou jovem o suficiente para saber tudo.” (Oscar Wilde)

Então, estou sugerindo que você faça isso ou deixe de fazer aquilo? De maneira nenhuma! Isso é entre você e seus responsáveis, e você consigo mesmo. O que quero que você entenda é o seu papel. Eu sei que você é inteligente, cheio de ideias e capaz de fazer coisas grandiosas. Aliás, acho que as grandes empresas deveriam ter pessoas da sua idade dando ideias e analisando tendências (algumas, aliás, têm mesmo). E é por isso que eu confio em você como uma pessoa preparada para começar uma mudança importante na sua geração.

Você tem plenas condições de “empoderar-se”. Empoderamento significa aumentar a conscientização e a participação das pessoas para a evolução da humanidade. Você tem aprendido muitas coisas e pode canalizar isso para uma atitude de influência entre os seus amigos e outras pessoas da sua geração. E, também, pode se tornar exemplo para as novas gerações que vão surgindo. Você sabe o quanto é complicada toda essa questão de privacidade de dados, da superexposição dos jovens na Internet, do bullying… Mas, apesar de toda a dificuldade, como seria se você (isso mesmo, você!) pudesse ajudar outras pessoas a se proteger na Internet?

O fato é que você pode. E a mensagem que eu queria passar com esta carta era simplesmente que você pode. Se você buscar, se você aprender não apenas sobre os riscos e responsabilidades que a Internet envolve, mas também sobre os reflexos futuros que tudo isso pode ter quando você e toda a sua geração chegarem à idade adulta, então você estará ajudando a humanidade a se desenvolver, a evoluir. Ajudará as pessoas a não caírem nas maliciosas armadilhas da Internet. E, também, contribuirá para que os adultos fiquem um pouco menos preocupados.

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