USP-Campus RP: Impressões em torno do II Seminário Internacional sobre Delinqüência Juvenil (2008)

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Eventos científicos que reúnem diversos pontos de vista e confluências em direção ao entendimento, são sempre memoráveis. Foi essa a sensação transmitida pelo ambiente que se criou no II Seminário Internacional sobre Delinqüência Juvenil, que teve lugar nas últimas quinta e sexta-feira (27 e 28 de março de 2008), no Anfiteatro Lucien Lison – que fica na USP, Campus Ribeirão Preto. Houve conferências de profissionais do Canadá, do Chile e do Brasil.

II Seminário Internacional sobre Delinqüência Juvenil

Logo no início do primeiro dia de conferências, no momento em que os participantes ainda estavam chegando, lembrei que alguns amigos não compareceriam. Então, desde logo me preparei para tomar notas a fim de que pudesse transmitir as minhas impressões sobre o evento. As inscrições se esgotaram, tamanho o interesse pelo assunto do evento. Publico aqui, então, algumas notas sobre o seminário, de modo que quem se interesse pelo assunto possa sentir um pouco do clima que se criou ali.

A primeira parte do evento foi a sua abertura, com pequenos discursos de pessoas responsáveis por diversos segmentos que se ligam, de alguma forma, à preocupação da sociedade com a questão da delinqüência juvenil. O primeiro a falar foi o Prefeito de Ribeirão Preto, Welson Gasparini. Suas palavras acabaram funcionando como uma prévia do sentimento que se instalaria ao longo das conferências.

Gasparini contou uma história interessante. Algumas pessoas teriam lhe reclamado sobre o atendimento em postos de saúde em Ribeirão Preto, dizendo que alguns médicos nem sequer tocavam no paciente para fazer um diagnóstico. Apenas olhavam, e determinavam o que estaria ocorrendo em termos de saúde com aquele paciente. O Prefeito levou a questão a uma reunião com médicos, e notou que realmente havia essa prática, sendo que um dos médico teria dito que, se tivesse conhecimento suficiente para diagnosticar sem tocar o paciente, ele o faria e ponto final. Mas Gasparini insistiu: o médico só podia estar errado! Disse que, ao lado do conhecimento técnico, é necessário o fator humano e falou da importância de atos simples como perguntar o nome do paciente.

Entre outras pessoas, a mesa de abertura contava com Gasparini, Maria Berenice Gianella (Presidente da Fundação CASA), Paulo César Gentile (Juiz da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso, de Ribeirão Preto). Gianella frisou a importância da troca de experiências que poderia tomar lugar no seminário, e Gentile disse preocupar-se com a deficiência na formação jurídica na área de infância e juventude. A abertura contou com outras idéias, ideais e histórias interessantes. Foi uma abertura que inspirou os espectadores.

Nesta edição do Seminário, a platéia estava mais heterogênea do que no ano passado. Era de se notar o grupo de oficiais da Guarda Civil Municipal de Ribeirão Preto, acompanhando as conferências e fazendo perguntas. Psicólogos e assistentes sociais foram também presença marcante. A participação de juristas foi bem escassa e não tomei conhecimento de eventuais representantes da recém iniciada Faculdade de Direito de Ribeirão Preto-FDRP-USP, nem de outras faculdades de Direito de Ribeirão, embora o assunto do Seminário seja de grande interesse para os jojubras!

As conferências faladas em francês receberam tradução. Mas, infelizmente, as conferências em espanhol não foram traduzidas, o que criou um desconforto entre os participantes, especialmente no primeiro dia, que teve um período bem gelado e escuro, com alguns espectadores simplesmente dormindo.

Os chilenos davam conferências muito interessantes, mas um pouco secas, enquanto os canadenses se preocuparam em criar um cenário na mente dos espectadores, utilizando-se, para isso, de imagens e vídeos. Isabelle Dupré (Centre jeunesse de la Montérégie) explicou, com a ajuda de cartuns, alguns modelos de resposta à atividade delinqüente.

Os brasileiros que fizeram conferências foram Roberto Carlos Damásio (Diretor da Divisão Regional Norte da Fundação CASA, Ribeirão Preto) e Marina Rezende Bazon (docente do Departamento de Psicologia e Educação, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto-FFCLRP-USP). Um dos pontos mais interessantes abordados por Damásio trata do tamanho das unidades de internação da Fundação CASA, sendo que o ideal são unidades menores, por uma questão de viabilidade. Bazon, uma das organizadoras do Seminário, falou sobre pesquisas desenvolvidas no Grupo de Estudos e Pesquisa em Desenvolvimento e Intervenção Psicossociais-GEPDIP, que coordena.

Canada DollarA primeira conferência da tarde do segundo dia foi com Pascale Philibert (que trabalha com o que chamam de probation intensive, sendo também do mesmo centro que Isabelle Dupré, no Canadá) pareceu muito preocupada em ser agradável ao público. Fez uma saudação bem agitada, onde o ponto alto foi o oferecimento de um dólar canadense (de chocolate) para que fizesse perguntas no final da sua apresentação. Entretanto, não foi possível que todos que quiseram fizessem perguntas – o tempo já estava curto – e a regra do prêmio se dissipou. Na mesa, ficaram uns 50 “dólares” sem destino.

Mas não por muito tempo! No breve intervalo posterior à sua conferência, o fluxo de caixa dos chocolates foi consumido em segundos. Tive a oportunidade de pegar um, a fiz uma pequena foto-montagem (está neste post). A cor original da embalagem do “dólar canadense” de chocolate é dourada.

Philibert comoveu a platéia ao trazer a história de Alexander, e o caminho difícil que percorreu junto com ele e com um treinador para tirá-lo do mundo das drogas e levá-lo ao boxe. Após explicar o seu trabalho com o jovem, exibiu um vídeo que reproduzia uma reportagem de televisão sobre Alexander e sua história, com cenas do jovem treinando em um ginásio e com palavras da própria conferencista.

Ademais de todas as “sensações” do evento, bem como do reencontro de amigos (e o surgimento de novas amizades), os conteúdos das conferências mostraram o empenho dos apresentadores nas suas pesquisas. Foi possível sentir um impacto bastante grande das diferenças nos contextos sociais e culturais dos diversos países. Mesmo assim, notou-se uma preocupação compartilhada entre os profissionais de países diferentes. Jean Lemire (Canadá) falou alguns minutos no final, e frisou a convergência de interesses a respeito de assuntos de interesse comum, e lembrou que a linguagem científica permite um nível de comunicação favorável ao compartilhamento de conhecimentos.

Os estrangeiros acharam os brasileiros hospitaleiros e acolhedores. Obrigado!

……….

LISTA DE CONFERENCISTAS

Canadá (Centre jeunesse de la Montérégie, Quebec)

– Nancy Veillet
– France Laporte
– Isabelle Dupré
– Johanne Riverin
– Pascale Philibert

Chile (Universidad de la Frontera, Temuco)

– Paula Alarcón Bañares
– Ricardo Pérez-Luco
– Alba Ximena Zambrano Constanzo
– Sérgio Chesta
– Mauricio Riffo

Brasil

– Roberto Carlos Damásio (Fundação CASA)
– Marina Rezende Bazon (FFCLRP-USP)

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2 COMMENTS

  1. Gustavo,
    Sou advogada e tbém participei do simpósio.
    Infelizmente não nos encontramos.
    Fiquei bastante satisfeita com as palestras e até mesmo emocionada…
    Um gde abraço
    Érica Ferraz

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